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Eleições

há 5 meses

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Extrema direita articula aliança informal entre Contar e Pollon para o Senado em MS

Estratégia do chamado "voto casado" envolve lideranças nacionais e pode alterar o equilíbrio da disputa pelo eleitorado bolsonarista no Estado

Grupos ligados à extrema direita em Mato Grosso do Sul articulam uma estratégia de “voto casado” para a eleição ao Senado, unindo os nomes do capitão da reserva do Exército Renan Contar (PL) e do deputado federal Marcos Pollon, atualmente no PL e com previsão de filiação ao Novo. A movimentação envolve lideranças nacionais do campo conservador e pode impactar diretamente a disputa pelo segundo voto de eleitores alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Considerados “puros-sangue” desse espectro político, Contar e Pollon são vistos como nomes competitivos, com bom desempenho eleitoral nas últimas eleições gerais, em 2018 e 2022.

Alems

Articulação com apoio nacional

As conversas em torno da aliança têm ocorrido em Brasília e até fora do País, segundo apuração, e contam com a participação de figuras influentes da direita, como o deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS) e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que está há cerca de um ano nos Estados Unidos.

A possibilidade do “voto casado” já teria sido discutida entre os dois pré-candidatos e também com outros caciques da extrema direita. Pollon, que tem Eduardo Bolsonaro como “padrinho político”, teria sido orientado a priorizar a disputa pelo Senado, deixando em segundo plano uma eventual candidatura ao governo do Estado.

Na prática, o deputado federal tem reduzido os movimentos nessa direção, abrindo espaço dentro do Novo para outros nomes, como o deputado estadual João Henrique Catan e o empresário Jaime Valler, ambos cotados para se filiar ao partido após enfrentarem resistência no PL.

Disputa no PL e possíveis efeitos

Renan Contar, por sua vez, é pré-candidato ao Senado pelo PL em Mato Grosso do Sul, assim como o ex-governador Reinaldo Azambuja, que assumiu no ano passado o comando estadual da legenda. Ambos contam com a “bênção” do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, para disputar a vaga.

A estratégia da extrema direita, que mantém forte presença nas redes sociais, pode dificultar os planos de candidatos que apostavam em captar o segundo voto de eleitores mais fiéis a Bolsonaro. O arranjo Contar-Pollon tende a concentrar esse eleitorado, criando obstáculos para nomes considerados mais moderados à direita, como Azambuja e o senador Nelsinho Trad (PSD).

Rearranjos no tabuleiro político

A articulação é mais um dos movimentos informais que têm provocado ajustes no cenário político sul-mato-grossense neste início de ano. Outro rearranjo envolve o PSD, partido do senador Nelsinho Trad, que pode perder quadros importantes. O vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha, e o secretário estadual Jaime Verruck (Semadesc) são apontados como possíveis baixas da sigla.

Essas mudanças refletem tanto fatores locais quanto nacionais dentro do amplo arco de alianças que reúne partidos como PL, PP, PSDB, Republicanos e PSD, grupo que inclui lideranças como o governador Eduardo Riedel, a senadora Tereza Cristina e o próprio Reinaldo Azambuja.

No plano nacional, o PSD tem se afastado da família Bolsonaro e busca uma alternativa mais moderada à direita, com nomes cotados para a Presidência, como Ratinho Jr., Eduardo Leite e Ronaldo Caiado. Já no cenário local, Nelsinho Trad enfrenta dificuldades para se reposicionar dentro da aliança liderada por Riedel e Azambuja, especialmente após a definição do PL em favor de Capitão Contar.

Diante desse quadro, aliados avaliam que o senador pode buscar espaço em um arranjo mais ao centro ou à esquerda. Essa alternativa é vista como viável, sobretudo porque o ex-deputado federal Fábio Trad (PT), irmão de Nelsinho, desponta como nome da esquerda para disputar o governo estadual contra Eduardo Riedel.
 

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