Nesta quinta-feira (29), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, esteve com o ex-presidente Jair Bolsonaro no Complexo Penitenciário da Papuda, mais especificamente na ala conhecida como Papudinha, onde Bolsonaro cumpre prisão preventiva após condenação por tentativa de golpe de Estado. A visita foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, em meio a uma série de decisões que restringem quem pode se aproximar do ex-chefe do Executivo.
Aliança política e contexto da visita
Tarcísio chegou ao 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal por volta das 11h acompanhado por aliados, em um encontro que sinaliza esforços para manter diálogo entre setores da chamada direita política em ano eleitoral. A visita havia sido autorizada previamente por Moraes, mas um encontro anterior com Bolsonaro foi adiado pelo próprio governador, que citou compromissos oficiais em São Paulo como motivo.
O encontro ocorre em meio a intensas articulações políticas sobre a definição de candidaturas para as eleições presidenciais de 2026, com setores da direita ainda debatendo nomes e estratégias para enfrentar o atual cenário eleitoral.
Moraes nega visita a aliados e reforça restrições
No mesmo dia em que Tarcísio esteve com Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes negou, em outra decisão judicial, pedidos para que o presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, e o senador Magno Malta (PL-ES) tivessem acesso ao ex-presidente na Papudinha. A decisão, tomada nesta quinta-feira, destaca preocupações com a segurança e com o andamento de investigações em curso.
Segundo Moraes, “o contato entre pessoas investigadas ou condenadas em processos relacionados pode comprometer o andamento das apurações, apresentando risco manifesto à investigação”. Ele mencionou que Magno Malta já teria tentado ingressar na unidade sem a devida autorização judicial e que Valdemar, por sua vez, responde a investigações no mesmo contexto que Bolsonaro.
“Tal conduta gera riscos desnecessários à disciplina do batalhão e à segurança do próprio sistema de custódia, obstaculizando o deferimento do pedido”, escreveu o ministro em sua decisão.
Regras de visita e concessões concedidas
Apesar de negar o acesso de Malta e Valdemar, Moraes também flexibilizou parte das regras que regem a rotina do ex-presidente na prisão. Entre as autorizações estão a realização de caminhadas controladas em áreas específicas da unidade e ajustes no calendário de visitas, com transferência de alguns encontros para os sábados para reduzir circulação interna.
Além disso, o ministro autorizou a entrada de outros parlamentares e a ampliação da assistência religiosa, permitindo que o padre Paulo M. Silva se junte a líderes religiosos já credenciados a visitar Bolsonaro.
Esse conjunto de decisões evidencia um equilíbrio entre restrições de segurança e garantias constitucionais de direitos — como o de assistência religiosa e visitas de representantes políticos —, em um momento em que o caso Bolsonaro segue sendo um dos mais sensíveis da política nacional.


