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Diplomacia

há 5 meses

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Lula no Panamá: defesa da neutralidade do Canal, críticas a intervenções e encontro com Kast

Presidente brasileiro usa palco regional para reforçar autonomia latino-americana, criticar inação de organismos internacionais e buscar cooperação em segurança e estabilidade com novo líder chileno

Em sua primeira viagem internacional do ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou intensamente, nesta quarta-feira (28), da abertura do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe na Cidade do Panamá, evento que reúne chefes de Estado, empresários e autoridades para debater integração, economia e desafios geopolíticos na região. No discurso e em encontros paralelos, Lula misturou mensagens de cooperação, críticas à fragmentação regional e estreitamento de laços bilaterais — em particular com o presidente eleito do Chile — em um contexto de instabilidade global e tensões geopolíticas.

Neutralidade do Canal do Panamá e integração regional

Ao subir ao púlpito na sessão inaugural do fórum, Lula reforçou a posição do Brasil sobre um dos pontos centrais da diplomacia regional: a importância de manter o Canal do Panamá neutro e aberto a todos os países. Para ele, a passagem marítima, estratégica para o comércio mundial, não pode ser objeto de disputas ou interferências que prejudiquem a livre circulação de bens e serviços.

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“Por isso o Brasil defende a neutralidade do Canal do Panamá, administrado de forma eficiente, segura e não discriminatória há quase três décadas”, afirmou o presidente, em um trecho de seu discurso que foi recebido com aplausos pelos presentes.

Lula também destacou programas como as Rotas de Integração Sul-Americana, iniciativa brasileira para ampliar infraestrutura e ligações territoriais entre os países vizinhos, reforçando que “a integração em infraestrutura não tem ideologia”.

Críticas à paralisia de organismos multilaterais

Em tom mais crítico, o presidente lamentou o que classificou como paralisia de instituições e mecanismos de articulação política regional, como a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que, segundo ele, perdeu capacidade de reagir a crises e influências externas.

“A Celac não consegue produzir nem mesmo uma única declaração contra intervenções militares ilegais que abalam a nossa região”, disse Lula, em referência a episódios recentes de uso da força em territórios vizinhos.

A crítica vai ao encontro de um discurso mais amplo do presidente sobre o papel de organismos internacionais diante de crises — tese que ele já havia defendido em outros fóruns, ao alertar que “intervenções estrangeiras podem causar danos maiores do que se pretende evitar” e que é preciso reforçar o multilateralismo e o respeito ao direito internacional.

Conversa com presidente eleito do Chile: cooperação em segurança e estabilidade

Antes mesmo da abertura oficial do fórum, Lula também realizou um encontro bilateral com José Antonio Kast, presidente eleito do Chile, que assume o cargo em março. A reunião durou cerca de uma hora e ocorreu no hotel onde os líderes estavam hospedados na capital panamenha.

Segundo informações do governo, o principal foco do diálogo foi a estabilidade regional e a cooperação no enfrentamento ao crime organizado — temas que ganham destaque em um cenário de crescente preocupação com segurança pública em vários países da América Latina.

O encontro entre Lula e Kast ocorre em um momento em que ambos os países buscam equilibrar diferenças ideológicas com interesses práticos de segurança e desenvolvimento econômico. Embora venham de espectros políticos distintos, a conversa foi descrita por autoridades como positiva e orientada para prioridades estratégicas comuns ao bloco regional.

Um discurso em meio a desafios externos e internos

A participação do presidente brasileiro no fórum panamenho acontece em meio a um contexto internacional complexo: intensificação de tensões com os Estados Unidos em relação à política na Venezuela, esforços para fortalecer o Mercosul e ampliar parcerias comerciais além da região, e um debate crescente sobre o papel de instituições multilaterais diante de crises globais.

No fórum, Lula defendeu uma América Latina mais coesa e menos vulnerável a pressões externas, abordando tanto a dimensão econômica quanto a de segurança coletiva de seus integrantes.

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