A pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) ganhou novo impulso nesta semana com a entrada do senador Rogério Marinho (PL-RN) na estratégia nacional de campanha, em especial no Nordeste, região em que o pré-candidato ainda registra índices modestos frente ao atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo pesquisas recentes. A decisão política marca uma mudança de planos para Marinho, que abriu mão de suas ambições estaduais para reforçar o projeto bolsonarista nas eleições de 2026.
Nordeste como foco da nova fase da disputa
O Nordeste assume papel central na nova fase da campanha de Flávio Bolsonaro, em um cenário em que Lula mantém vantagem folgada em todas as simulações de intenção de voto divulgadas até agora. Enquanto o presidente petista lidera com ampla frente na região — muitas vezes superior a 60% — os números de Flávio oscilam entre 12% e 18%, dependendo do conjunto de candidatos levados em conta pelas pesquisas.
A posição de Marinho como coordenador ou articulador da pré-campanha tem como objetivo fortalecer a presença do PL num eleitorado historicamente favorável ao PT e que foi decisivo nas últimas eleições presidenciais. Para o time de Bolsonaro, seu papel é tentar reverter ou ao menos atenuar a vantagem do atual governo nas unidades federativas da região.
Uma escolha política e pessoal
Rogério Marinho, que era apontado como candidato ao governo do Rio Grande do Norte, anunciou que deixará de disputar a eleição estadual a pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso, para se dedicar à campanha presidencial de Flávio. Em nota pública, o senador enfatizou as razões pessoais e políticas da decisão:
“Há alguns dias eu tenho dormido mal, tenho me sentido diferente, pela mudança de rumos que a vida me leva a tomar, mas eu não posso negar um pedido do presidente Bolsonaro. Não posso.”
Na mesma linha, Flávio Bolsonaro tem falado publicamente sobre o papel que Marinho deve desempenhar na sua equipe, qualificando o colega como uma peça importante na estratégia nacional:
“|Um dos principais, mais preparados e mais competentes”
O anúncio de Marinho também resultou numa reorganização das forças oposicionistas no Rio Grande do Norte: com sua saída da disputa estadual, lideranças locais indicaram outros nomes para manter a coesão do grupo na corrida ao governo.
Desafios eleitorais para o PL
A entrada de Marinho na pré-campanha de Flávio Bolsonaro acontece em um momento em que o senador do PL enfrenta ampla desvantagem perante Lula no Nordeste, apesar de ter alguma base de apoio em outras regiões do país. Pesquisas recentes indicam que o eleitorado nordestino tem sido tradicionalmente um reduto de candidatos de esquerda nas últimas eleições presidenciais, o que se repete em 2026.
Especialistas políticos avaliam que essa estratégia sinaliza uma tentativa de expandir a base eleitoral bolsonarista em áreas onde os índices de intenção de voto permanecem baixos, apostando na experiência e articulação de Marinho em capitais e estados nordestinos.


