O senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado, afirmou que o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul poderá resultar em compensações a segmentos da economia brasileira que venham a ser prejudicados pela parceria, como o setor leiteiro. A declaração foi feita nesta sexta-feira (23), em entrevista ao programa Em Ponto, da GloboNews.
Segundo o parlamentar, o Legislativo já se prepara para analisar o texto assim que ele for encaminhado pelo Executivo, com foco na identificação de eventuais impactos negativos sobre setores específicos da indústria e do agronegócio.
Análise no Congresso
Nelsinho explicou que, diante do cenário dividido no Parlamento Europeu, caberá ao Congresso Nacional conduzir uma avaliação técnica e política do acordo.
"Se observar o placar da votação que aconteceu no parlamento europeu, é realmente algo que está muito dividido. Foram 334 votos contra o acordo, 324 a favor e 11 abstenções. Assim como tem gente que não quer, tem muita gente que quer. Isso se reflete exatamente agora naquilo que nós do Parlamento podemos fazer", afirmou o senador.
Para isso, será criada uma subcomissão no âmbito da Comissão de Relações Exteriores, com a missão de acompanhar a tramitação do acordo e levantar pontos sensíveis para setores nacionais.
"Tanto da indústria quanto do agro, para a gente poder fazer as nossas interlocuções, porque não se pode emendar esse acordo. Ou você vota sim, ou vota não. O setor que já chegou até a mim, o do leite, vai ter problema", disse.
Possíveis compensações
De acordo com Nelsinho Trad, a proposta da subcomissão é articular ações junto ao Ministério da Agricultura para avaliar mecanismos que reduzam perdas econômicas aos setores mais afetados.
"E pode ter certeza que outros setores vão aparecer, então já estamos nos antecipando justamente para ser proativo e resolutivo", completou.
Tramitação e cenário internacional
O senador também relatou que já conversou com os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, para alinhar a importância estratégica do acordo para o Brasil e os demais países do Mercosul.
Apesar do adiamento da votação na Europa, em razão de questionamentos judiciais, Nelsinho avaliou que divergências são naturais no processo legislativo e indicou que novas articulações podem ocorrer para superar resistências.
"A divergência em parlamentos é natural, ela é dinâmica e constante. Na nossa avaliação, faltou um cuidado maior de quem estava a favor para poder fazer a ingerência, falando no linguajar popular, a 'boca de urna certa' para se votar a favor deste acordo", comentou.
Ele destacou ainda o que chamou de “ânimo positivo” do governo federal, observado em conversas com o vice-presidente Geraldo Alckmin, ao ressaltar o potencial do acordo para impulsionar a economia, gerar empregos e ampliar renda.
Por fim, Nelsinho lembrou que a entrada em vigor do acordo ocorrerá de forma escalonada, com diferentes prazos para aplicação das regras, e que países como Uruguai, Argentina e Paraguai também estudam acelerar suas análises para viabilizar a implementação do tratado.


