Com as eleições de 2026 se aproximando, o Partido dos Trabalhadores (PT) intensificou os debates internos sobre a participação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em disputas eleitorais em São Paulo — um dos estados mais estratégicos do país. Ao mesmo tempo, a proximidade do prazo legal para desincompatibilização tem levado ministros do governo federal a planejar suas saídas para tentar vagas no Legislativo ou em governos estaduais.
PT pressiona Haddad a disputar vaga paulista
O PT vive uma pressão crescente para que Haddad aceite ser candidato em São Paulo nas eleições de 2026, especialmente ao Senado. A avaliação interna é de que ele acumula baixos índices de rejeição em pesquisas e tem potencial competitivo para representar o partido em uma das duas vagas em disputa no estado — cenário que poderia fortalecer a presença petista no Congresso e ampliar o apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A estratégia petista, que inclui conversas entre Haddad e Lula para buscar um consenso, considera que sua participação pode ser crucial para evitar que o bolsonarismo conquiste ambas as cadeiras senatórias em São Paulo, mesmo diante de vantagens regionais de políticos do campo conservador no estado.
Governo se reorganiza para as eleições
A legislação eleitoral exige que ministros que pretendem concorrer a cargos eletivos deixem seus postos até seis meses antes do pleito — prazo que, nas eleições de 2026, se encerra em abril. Isso tem levado a uma perspectiva de saída de pelo menos 17 a cerca de 20 ministros do governo Lula, que tendem a aproveitar suas experiências no Executivo para disputar vagas no Senado, na Câmara dos Deputados ou em governos estaduais.
Uma das movimentações destacadas é a da ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), que anunciou sua pré-candidatura ao Senado pelo Paraná. A pasta que ela deixa, responsável pela articulação política do governo, ainda não tem sucessor definido.
Outros nomes cotados para disputar cargos distintos incluem a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede-SP), ambos avaliando opções para buscar uma cadeira no Senado.
Desafios e impacto no governo
A desincompatibilização de ministros cria um impacto direto na estrutura da Esplanada e coloca o Planalto diante da necessidade de reorganizar pastas e fortalecer alianças políticas. A movimentação também é vista como parte da estratégia nacional para assegurar uma base aliada mais sólida no Congresso, o que seria vital para um eventual novo mandato de Lula.
Até o momento, Haddad tem dito publicamente que “não pretende se candidatar em 2026”, mas permanece no centro das discussões internas sobre o papel que terá na campanha e sobre como sua eventual saída do governo pode ser alinhada com os objetivos eleitorais da legenda.
A definição de candidaturas envolvendo ministros e a própria articulação de Haddad em São Paulo devem ganhar ritmo nas próximas semanas, à medida que o calendário eleitoral avança e o prazo de desincompatibilização se aproxima.


