O Conselho da Paz anunciado nesta quinta-feira (22) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ainda não reúne nomes de grande peso internacional, o que tem levado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a adotar uma postura cautelosa. Segundo assessores do Planalto, o cenário atual permite ao Brasil ganhar tempo enquanto observa a reação de outras potências globais ao convite feito pelo governo norte-americano.
A avaliação interna é de que a iniciativa, apresentada durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, não contou com uma presença representativa ampla. Dos 193 países que integram a Organização das Nações Unidas (ONU), apenas cerca de 20 estiveram no evento organizado pelos Estados Unidos, o que reforça a leitura de que o Brasil não está isolado ao optar por uma análise mais cuidadosa.
Baixa adesão internacional chama atenção
Entre os países da União Europeia, somente a Hungria participou do anúncio, representada pelo primeiro-ministro Viktor Orbán. Outras nações do bloco, inclusive a Itália — que costuma adotar posições mais próximas à direita alinhada a Trump —, não marcaram presença. No grupo das maiores economias do mundo, o G7, apenas os Estados Unidos estiveram representados.
Na América do Sul, o lançamento do Conselho da Paz, voltado inicialmente para a região da Faixa de Gaza, contou com a presença de dois presidentes: Javier Milei, da Argentina, e Santiago Peña, do Paraguai. De acordo com assessores do governo brasileiro, eram participações esperadas e não alteraram a avaliação do Planalto sobre o alcance limitado do evento.
Defesa da ONU e preocupação institucional
O governo brasileiro tem evitado qualquer posicionamento que possa ser interpretado como enfraquecimento da ONU. Embora Lula faça críticas ao atual funcionamento e às regras da organização, sua posição é a de defender uma reforma do sistema multilateral, e não a criação de estruturas paralelas que possam esvaziá-lo. A mesma lógica se aplica à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Segundo integrantes do entorno presidencial, a proposta apresentada por Trump pode ter relevância em determinados contextos, mas não deve se transformar em um organismo permanente que substitua a ONU. Essa possibilidade, afirmam, ainda não foi totalmente descartada, o que gera resistência por parte do Brasil e de outras potências globais.
Outro ponto que causa desconforto é a hipótese de o presidente norte-americano concentrar poder de veto no novo conselho. Para assessores de Lula, isso descaracterizaria o caráter multilateral da iniciativa, transformando-a em um instrumento subordinado aos interesses dos Estados Unidos, o que reduziria o apoio internacional ao projeto.


