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Eleições

há 5 meses

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Simone Tebet avalia disputar eleição por São Paulo e abre espaço para centro-direita em MS

Ministra do Planejamento deve conversar com Lula até o fim do mês para definir se concorre ao governo paulista ou ao Senado

O cenário político da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), caminha para uma possível mudança de eixo em 2026. A tendência, segundo apuração do Correio do Estado, é que ela transfira seu domicílio eleitoral para São Paulo e dispute uma vaga majoritária no estado, movimento que pode reduzir sua presença na disputa em Mato Grosso do Sul e favorecer candidaturas de centro-direita no estado.

Até o fim deste mês, Tebet deve ter uma reunião reservada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tratar de seu papel nas eleições gerais deste ano. Embora ainda exista a possibilidade de uma candidatura ao Senado por Mato Grosso do Sul, a alternativa paulista tem ganhado força nos bastidores.

Alems

Conversa com Lula e estratégia eleitoral

O encontro entre Lula e a ministra foi combinado durante a Cúpula do Mercosul, realizada no fim do mês passado em Foz do Iguaçu (PR). Na ocasião, os dois trataram rapidamente do tema e acertaram uma conversa mais aprofundada após o retorno a Brasília.

A avaliação dentro do Palácio do Planalto é de que Tebet pode ser peça central na montagem de um palanque competitivo em São Paulo, considerado estratégico para o projeto de reeleição de Lula. Nesse contexto, a chance de a ministra disputar o pleito por Mato Grosso do Sul é vista como reduzida.

No estado, pesquisas recentes indicam equilíbrio na disputa pelo Senado. Levantamento do Instituto de Pesquisa Resultado (IPR), divulgado em dezembro, mostrou Tebet tecnicamente empatada com Reinaldo Azambuja (PL), Capitão Contar (PL) e Nelsinho Trad (PSD), o que reforça a leitura de que sua saída do páreo pode reorganizar o jogo eleitoral local.

Possível candidatura em São Paulo

Entre as hipóteses em análise está uma candidatura ao governo paulista para enfrentar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tende a buscar a reeleição, ou ainda uma vaga ao Senado. Para qualquer uma dessas opções, Tebet precisaria alterar o domicílio eleitoral e deixar o MDB, legenda à qual é filiada há 27 anos.

O partido comanda atualmente a capital paulista, sob gestão do prefeito Ricardo Nunes, aliado de Tarcísio. Esse alinhamento dificulta a permanência de Tebet no MDB caso ela aceite disputar a eleição em São Paulo com apoio do presidente.

No campo político, a ministra já declarou que estará ao lado de Lula na corrida presidencial e que aceita os desafios que lhe forem propostos. Para o PT, ela reúne características consideradas estratégicas: capacidade de dialogar com eleitores fora da base tradicional do partido, bom desempenho em debates públicos, presença feminina e atuação em um ministério central do governo.

Convite do PSB e articulações partidárias

Caso decida deixar o MDB, Tebet já recebeu convite para se filiar ao PSB, feito pelo presidente da sigla em São Paulo, Caio França, e reforçado pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, que afirmou que se sentiria honrado em tê-la como correligionária.

Aliados admitem que a mudança de partido, antes descartada, passou a ser considerada. A ida para o PT segue fora de cogitação, enquanto o PSB é visto como uma alternativa viável. Nos últimos meses, Tebet tem ampliado o diálogo com dirigentes da legenda e, no fim do ano passado, recebeu a deputada federal Tábata Amaral (PSB-SP) para uma conversa reservada em seu gabinete.

Procurada, a ministra preferiu não comentar o assunto. Em declarações recentes, porém, afirmou que sua intenção é permanecer no MDB e tentar um novo mandato de senadora por Mato Grosso do Sul, cargo para o qual foi eleita em 2014. Em 2022, Tebet concorreu à Presidência da República e terminou a disputa em terceiro lugar.

Simone Tebet iniciou sua trajetória política em 2002, ao ser eleita deputada estadual pelo MDB. Dois anos depois, tornou-se a primeira mulher prefeita de Três Lagoas. Em 2010, renunciou ao cargo para disputar a vice-governadoria, tornando-se a primeira mulher a ocupar a função no estado. Em 2014, foi eleita senadora e, em 2022, disputou a Presidência da República, obtendo 4,16% dos votos válidos.
 

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