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Caso Master

há 5 meses

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Crise do Banco Master provoca atritos entre poderes e início de ressarcimento a clientes

Investigações parlamentares e judiciais se intensificam enquanto o FGC começa a devolver valores a parte dos investidores; STF vive tensão institucional e Congresso reage à condução do caso

Desde que o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado, o chamado Caso Master tem dominado o noticiário político e econômico, envolvendo debates no Congresso Nacional, resistências entre poderes da República e, agora, os primeiros pagamentos de ressarcimentos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A crise, que já expõe o Supremo Tribunal Federal (STF) e mobiliza parlamentares, também traz à tona questões diretas para investidores e correntistas afetados pela quebra da instituição.

Ressarcimentos começam enquanto dúvidas persistem

Nesta segunda-feira (19), o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) iniciou os pagamentos aos credores do Banco Master que tinham aplicações garantidas — como contas-correntes e títulos como CDB, LCI e outros produtos financeiros — de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição.

Alems

Segundo dados do próprio FGC, cerca de 800 mil investidores têm direito à cobertura após a liquidação do banco, que deve representar aproximadamente R$ 40,6 bilhões em ressarcimentos. Até o momento, cerca de 600 mil pedidos de ressarcimento já foram registrados, e 400 mil credores concluíram todas as etapas e aguardam os pagamentos nas próximas etapas.

Para reaver os valores, os investidores precisam solicitar formalmente a garantia por meio do aplicativo ou site do FGC, seguindo etapas de cadastro e validação de identidade, um processo que nem todos ainda concluíram.

Pressões políticas e reação institucional no Congresso

Paralelamente à fase de ressarcimento, o Congresso Nacional vive um embate com o Judiciário sobre o acesso a informações e o controle das investigações envolvendo o banco. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) criada para apurar irregularidades atribuídas ao Banco Master — como supostas fraudes em operações de crédito consignado e outras práticas bancárias — tem enfrentado resistência em obter documentos e informações essenciais para suas apurações.

Líderes da comissão no Senado e na Câmara afirmam que há tentativas de cercear o trabalho investigativo e limitam a transparência, gerando críticas de parlamentares de diferentes espectros. Discute-se, inclusive, a relevância de ampliar a atuação do colegiado para abranger todos os elos do esquema suspeito e responsabilizar envolvidos.

Tensão no STF: presidente antecipa retorno às atividades

O clima de tensão institucional também alcançou o Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, decidiu antecipar seu retorno a Brasília durante o recesso para lidar diretamente com os desdobramentos do caso e com o desgaste que ele tem gerado na imagem da instituição.

Fachin vinha mantendo contatos com seus pares ao longo do período de folga, mas optou por interromper oficialmente as férias e retornar à capital federal para coordenar as discussões internas, inclusive com ministros que têm papel central na condução do assunto.

O foco das conversas, segundo interlocutores ouvidos pela imprensa, é a forma como o inquérito está sendo conduzido pelo relator designado, ministro Dias Toffoli, cujas decisões em relação ao caso têm gerado reações não só dentro do STF, mas também em setores como a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Um caso que une economia e política

A falência do Banco Master não afetou apenas investidores individuais. Analistas e autoridades alertam que as repercussões se estendem ao sistema financeiro como um todo, com impacto sobre o mercado de crédito, a confiança dos depositantes e até a atuação do Estado na regulação e fiscalização bancária.

Ainda não há consenso sobre a dimensão completa das irregularidades, e a investigação segue em curso, com múltiplas frentes: incluídas CPMIs no Congresso, articulações internas no STF e apurações administrativas e penais. Enquanto isso, milhões de clientes aguardam a conclusão das etapas de ressarcimento e o término dos debates institucionais que marcaram os primeiros capítulos desta crise.

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