Quinta, 9 Julho 2026

Anuncie aqui

Campo Grande

17°

Dólar Americano

Carregando...

-

Quinta, 9 Julho 2026

Diplomacia

há 5 meses

A+ A-

Lula analisa termos e impactos antes de decidir sobre convite de Trump para conselho sobre Gaza

Governo brasileiro quer esclarecer objetivos, composição e eventuais custos da iniciativa; presidente já fez críticas duras às ações de Israel no conflito

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve avaliar ao longo desta semana se o Brasil aceitará o convite feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar um chamado “Conselho de paz” voltado à Faixa de Gaza. Segundo integrantes do governo, a decisão dependerá de uma análise detalhada sobre o funcionamento do grupo, seus objetivos e as implicações políticas e financeiras de uma eventual participação brasileira.

Entre os pontos que estão sendo examinados pelo Palácio do Planalto estão a finalidade do conselho, os países que devem compor o colegiado, o posicionamento dessas nações em relação à guerra e a possibilidade de compromissos financeiros decorrentes das decisões que venham a ser tomadas. O convite foi anunciado na semana passada, mas ainda não houve resposta oficial do governo brasileiro.

Alems

Dúvidas diplomáticas e cautela do Planalto

Diplomatas ouvidos pela equipe presidencial avaliam que a proposta apresentada até agora pela Casa Branca deixou lacunas importantes. A avaliação interna é de que não há informações suficientes para embasar uma decisão imediata.

“Nada disso está claro”, afirmou um diplomata que acompanha as discussões.

De acordo com esse interlocutor, antes de assumir qualquer compromisso, o Brasil considera necessário dialogar com países que tenham peso político ou histórico na questão do Oriente Médio, de forma a construir uma posição consistente.

“Trocar ideias com outros países relevantes na questão, é assim que se constrói uma posição em questão de tamanha relevância”, disse o diplomata.

Críticas do governo brasileiro a Israel

A cautela ocorre em um contexto no qual Lula tem adotado um discurso duro em relação às ações do governo israelense na Faixa de Gaza. Em pronunciamentos no Brasil e no exterior, o presidente já afirmou que o governo de Benjamin Netanyahu pratica atos de “genocídio” contra o povo palestino e que há não apenas uma tentativa de “extermínio do povo palestino”, mas de “aniquilamento de seu sonho de nação”.

Na mesma linha, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou como “carnificina” a ofensiva militar israelense no território palestino. Embora tenha reconhecido o direito de Israel de defender sua população, o chanceler afirmou que as ações contra civis em Gaza “já ultrapassaram há muito tempo qualquer limite de proporcionalidade”.

A proposta apresentada por Trump

O chamado “Conselho de Paz” foi apresentado por Trump como um dos pilares da segunda fase do plano apoiado por Washington para encerrar o conflito na região.

“Posso dizer com certeza que é o maior e mais prestigiado conselho já reunido em qualquer momento e lugar”, afirmou o presidente americano ao anunciar a iniciativa nas redes sociais.

Segundo a Casa Branca, o grupo deve tratar de temas como “fortalecimento da capacidade de governança, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos, financiamento em larga escala e mobilização de capital”.

Histórico de atuação do Brasil no conflito

Diferentemente dos Estados Unidos e de Israel, o Brasil reconhece oficialmente o Estado da Palestina. Em outubro de 2023, após a intensificação da guerra — iniciada depois de ataques do grupo terrorista Hamas a Israel —, o governo brasileiro tentou aprovar no Conselho de Segurança da ONU uma resolução que previa cessar-fogo e a entrada contínua de ajuda humanitária em Gaza.

A proposta, no entanto, foi vetada pelos Estados Unidos, então sob o governo de Joe Biden, sob a justificativa de que o texto não deixava explícito o direito de Israel à autodefesa.

Desde então, Lula tem criticado tanto as ações do Hamas quanto a condução do conflito por Netanyahu, o que resultou em um esfriamento das relações diplomáticas entre Brasil e Israel. Ainda assim, o governo brasileiro afirma apoiar iniciativas que possam contribuir para a construção de uma solução pacífica para a região.
 

Veja também