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há 5 meses

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Caso Master: Toffoli manda lacrar bens e documentos apreendidos pela PF e determina guarda no STF

Decisão atinge materiais recolhidos em operação contra Daniel Vorcaro e pessoas ligadas ao Banco Master; gabinete cita necessidade de "preservação das provas"

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que todos os bens, documentos e demais materiais apreendidos pela Polícia Federal durante a nova fase da Operação Compliance Zero sejam lacrados e mantidos sob custódia na sede da Corte. A operação foi deflagrada nesta quarta-feira (14) e investiga suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.

A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e a familiares próximos, como o pai, a irmã e o cunhado, em São Paulo. Também figuram entre os alvos o empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora Reag Investimentos.

Alems

A ofensiva foi autorizada por Toffoli, que, no despacho, manifestou insatisfação com a atuação da PF, citando demora e falta de empenho no cumprimento de decisões judiciais anteriores relacionadas ao caso.

Além disso, o ministro ordenou que todo o material recolhido seja encaminhado diretamente ao Supremo. "DETERMINO que todos os bens e materiais APREENDIDOS por força do cumprimento da decisão por mim anteriormente proferidas e aqueles resultantes do cumprimento da presente, deverão ser LACRADOS e ACAUTELADOS diretamente na sede do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, até ulterior determinação", diz o texto da decisão.

A medida causou estranhamento entre investigadores da Polícia Federal, uma vez que, conforme apuração feita pela TV Globo, a PF não poderá realizar perícias nos itens apreendidos enquanto eles permanecerem sob custódia do STF.

Em nota, o gabinete de Toffoli afirmou que "o acautelamento imediato tem por finalidade a preservação das provas recolhidas pela autoridade policial e serão devidamente periciadas pelas autoridades competentes".

Durante a operação, a PF apreendeu carros importados, relógios de alto valor e outros bens de luxo em imóveis ligados aos investigados. Também foram encontrados valores em espécie; até a última atualização, haviam sido contabilizados R$ 97,3 mil em dinheiro vivo.

Segundo a Polícia Federal, Toffoli autorizou o cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio e sequestro de bens e valores que ultrapassam R$ 5,7 bilhões.

Novos indícios e alcance da operação

De acordo com informações apuradas pelo colunista Valdo Cruz, do g1, a nova fase da operação foi deflagrada após a identificação de indícios de novos crimes cometidos pelo grupo investigado. As apurações apontam para um esquema de captação de recursos, aplicação em fundos e posterior desvio para o patrimônio pessoal de Vorcaro e de familiares.

O celular do controlador do Banco Master foi apreendido. Os mandados foram cumpridos em endereços localizados em São Paulo — incluindo a região da Avenida Faria Lima — além dos estados da Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro, chegou a ser detido na madrugada desta quarta-feira no aeroporto, quando tentava embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, mas foi liberado em seguida. A retenção ocorreu apenas para viabilizar o cumprimento das medidas judiciais.

Os agentes também estiveram na residência de Nelson Tanure, que não foi localizado no local. Ele acabou sendo encontrado no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, antes de um voo doméstico, ocasião em que seu telefone celular foi apreendido.

Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro reiterou que o empresário tem colaborado com as investigações e que possui "interesse no esclarecimento completo dos fatos". As defesas dos demais alvos não foram localizadas.
 

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