O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um discurso nesta terça-feira (6) a deputados do Partido Republicano reunidos no Kennedy Center, em Washington, no qual exaltou a operação militar norte-americana na Venezuela que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cília Flores. Em tom triunfalista, Trump classificou a ação como “brilhante” e afirmou que ela demonstra que “ninguém é páreo” para os Estados Unidos.
Foi a primeira vez que o presidente falou publicamente a parlamentares de seu partido desde a ofensiva, realizada sem aviso prévio ao Congresso, o que gerou irritação inclusive entre republicanos. Apesar das críticas internas e da forte reação internacional, Trump defendeu a ação e celebrou seus resultados.
“Ninguém é páreo para nós”, diz Trump a deputados republicanos
Ao se dirigir à plateia formada por congressistas aliados, Trump destacou a complexidade da operação militar, afirmando que ela envolveu grande mobilização aérea e tropas em solo.
“Foi tão complexo, 152 aeroplanos, muitos, muitos. Falando de sapatos no chão, nós tínhamos muitos sapatos no chão”, declarou.
Segundo o presidente, a ofensiva teria sido bem-sucedida do ponto de vista militar, com perdas concentradas do lado adversário. “Mas foi incrível, pense nisso: ninguém foi morto e, do outro lado, muitas pessoas foram mortas”, afirmou.
Trump disse lamentar as mortes, mas atribuiu as baixas principalmente a forças aliadas ao regime venezuelano. “Infelizmente, eu digo isso aos soldados. Cubanos, principalmente cubanos, mas muitos, muitos foram mortos”, declarou.
Corte de energia e surpresa como estratégia de guerra
O presidente norte-americano também descreveu aspectos táticos da operação, incluindo o corte de energia elétrica em grande parte da Venezuela, o que, segundo ele, teria sinalizado à população que algo fora do comum estava acontecendo.
“E a eletricidade para quase todo o país foi fechada. Era quando eles sabiam que havia um problema”, disse. Em seguida, ironizou a situação ao comentar que apenas quem tinha velas conseguiu manter algum tipo de iluminação.
“Não havia eletricidade. Caracas disse que não havia eletricidade. As únicas pessoas com luzes eram as pessoas que tinham canetas”, afirmou, em meio a risos da plateia.
Trump também elogiou a atuação das tropas americanas. “Muitos caras saíram de helicópteros e não eram protegidos. Mas foi tão brilhante”, declarou.
Críticas internas e reação internacional
A operação dos Estados Unidos na Venezuela gerou forte reação de governos e organismos internacionais, que classificaram a ação como violação do direito internacional e da soberania de um Estado. Países da América Latina, Europa, além de China e Rússia, manifestaram preocupação com o precedente aberto pela intervenção.
No cenário interno, parlamentares americanos questionaram o fato de o Congresso não ter sido consultado previamente, levantando dúvidas sobre a legalidade da ação sob a legislação dos Estados Unidos.
Ainda assim, Trump manteve o discurso de força e afirmou que a ofensiva demonstra a capacidade militar norte-americana de agir de forma decisiva em qualquer parte do mundo.
Departamento de Justiça recua em acusação contra Maduro
Após a operação e a captura de Nicolás Maduro, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos recuou de uma das principais acusações que vinham sendo usadas pelo governo Trump para justificar a remoção do líder venezuelano do poder. A pasta abandonou a afirmação de que Maduro liderava o chamado Cartel de los Soles, suposta organização de narcotráfico ligada às Forças Armadas venezuelanas.
O recuo não invalida outros processos e acusações contra Maduro em tribunais norte-americanos, mas enfraquece um dos pilares centrais do discurso adotado por Washington para sustentar a ofensiva militar e reforça as críticas internacionais quanto à fundamentação jurídica da intervenção.


