Durante reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, realizada nesta segunda-feira (5), o embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, declarou que a ação conduzida por seu país em território venezuelano não representa uma guerra nem uma ocupação militar. Segundo ele, a iniciativa teve natureza policial e foi direcionada à captura do presidente Nicolás Maduro, que será julgado nos Estados Unidos.
De acordo com Waltz, a operação não foi voltada contra a população venezuelana, mas sim contra o chefe do governo do país, apontado pelas autoridades norte-americanas como envolvido em atividades de narcotráfico internacional.
“Não estamos em guerra com a Venezuela ou com seu povo. Não estamos ocupando um país. Trata-se de uma operação policial para prender um narcotraficante, que agora responderá à Justiça nos Estados Unidos, dentro do Estado de Direito”, afirmou o diplomata.
Acusações contra Maduro
Na declaração, o embaixador reforçou as acusações do governo norte-americano contra Maduro, classificando-o como responsável por facilitar o tráfico de grandes volumes de drogas ilegais para os Estados Unidos. Waltz também afirmou que o presidente venezuelano teria se beneficiado financeiramente dessas atividades, ao mesmo tempo em que a população do país enfrentaria uma grave crise social e econômica.
Segundo o representante dos EUA, Maduro contaria ainda com apoio de organizações classificadas por Washington como terroristas, além de autoridades estrangeiras e outros grupos considerados hostis aos interesses norte-americanos.
Waltz também mencionou o controle das vastas reservas energéticas da Venezuela, alegando que esses recursos estariam sob influência de lideranças que, na visão do governo dos EUA, não representam legitimamente a população e não revertem os benefícios ao povo venezuelano.
Operação e captura
A ação militar norte-americana ocorreu no sábado (3), quando forças dos Estados Unidos atacaram diferentes regiões da Venezuela. Na operação, Nicolás Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores, foram capturados e levados para território norte-americano.
Maduro vinha sendo citado como principal alvo das ameaças do presidente Donald Trump, que o acusa de chefiar o Cartel de los Soles, organização recentemente classificada pelos Estados Unidos como grupo terrorista internacional.
Debate no Conselho de Segurança
A reunião do Conselho de Segurança foi solicitada pela Colômbia, governada por Gustavo Petro, país que tem mantido divergências diplomáticas com o governo Trump. O encontro reuniu representantes de diversos países para discutir os desdobramentos da ação norte-americana.
O Brasil participa da sessão, mas não tem direito a voto por não integrar o grupo de membros permanentes do Conselho. A delegação brasileira é chefiada pelo embaixador Sérgio Danese, que deve se pronunciar durante o debate. Segundo integrantes da diplomacia brasileira, a posição do país em relação à ação dos Estados Unidos contra a Venezuela não sofrerá alterações.


