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Internacional

há 6 meses

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Brasil vai à ONU contra ataque dos EUA à Venezuela, mas ciente dos limites diplomáticos

Posição oficial do governo Lula condena ação militar americana que resultou na captura de Nicolás Maduro; diplomatas admitem que reunião em Nova York dificilmente mudará o quadro regional e internacional

Nesta segunda-feira (5), o Brasil participa de uma reunião emergencial do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) para debater a recente ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, que terminou com a captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa e gerou forte reação internacional. A delegação brasileira, liderada pelo representante nas Nações Unidas Sergio Danese, deve pedir a palavra e reafirmar a condenação oficial de Brasília à ação dos EUA, mesmo reconhecendo a limitação prática do encontro para alterar a situação no terreno ou deter novas escaladas de tensão. 

Reunião em Nova York: que está em jogo

A sessão do Conselho de Segurança foi convocada de emergência após um pedido formal da própria Venezuela, apoiado por países como Colômbia, China e Rússia, para analisar a legalidade e as consequências da operação americana no território venezuelano. O secretário-geral da ONU, António Guterres, descreveu o ataque como um “precedente perigoso”, destacando preocupações sobre a estabilidade regional e os riscos à Carta das Nações Unidas. 

Alems

O Brasil não é membro permanente do conselho e não terá poder de voto, mas com base na regra 37 do regulamento do órgão pode fazer declarações e exposições de posição. É nesse contexto que Sergio Danese deverá discursar em nome do país e reforçar o que foi dito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos últimos dias. 

“Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, escreveu Lula em uma nota oficial, segundo comunicado do Itamaraty. “Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade”, completou o presidente. 

Brasília condena, mas admite impacto limitado

Segundo interlocutores do governo, embora o discurso brasileiro seja de forte reprovação à ação dos EUA, integrantes da diplomacia reconhecem que a reunião não deve produzir resultados práticos imediatos para reverter a situação na Venezuela ou responsabilizar os Estados Unidos. Analistas destacam o longo histórico de embates no Conselho de Segurança envolvendo potências com direito a veto — como ocorre em casos sensíveis de segurança global — o que reduz a probabilidade de uma resolução vinculante contra Washington. 

“A ONU pode se reunir e debater, mas sabemos por experiência que isso dificilmente terá efeito concreto sobre as ações dos EUA na Venezuela”, comentou um diplomata brasileiro sob condição de anonimato ao portal G1. 

Internamente, a avaliação oficial destaca ainda a necessidade de valeorar canais diplomáticos e evitar escaladas de conflito. Segundo uma das matérias publicadas, o governo brasileiro manteve contatos diretos com o vice de Maduro logo após a prisão do mandatário venezuelano, numa tentativa de medir a situação e preservar canais de diálogo no contexto de uma crise que já vinha se agravando antes da intervenção militar externa. 

Reações globais e tensões no hemisfério

A operação dos Estados Unidos gerou reações diversas no cenário internacional. Enquanto governos de nações latino-americanas de esquerda, como México e Chile, reforçaram a condenação e pediram respeito ao direito internacional, potências como Rússia e China também criticaram a ação americana como violação da soberania venezuelana. Por outro lado, líderes mais alinhados ao governo Trump viram o episódio como uma resposta necessária a acusações de narcotráfico e ameaça à segurança hemisférica. 

Nesse contexto tenso, a reunião do Conselho de Segurança reflete não apenas uma crise bilateral entre EUA e Venezuela, mas um impasse mais amplo sobre o papel das grandes potências no uso da força e na governança internacional, algo que países como o Brasil tentam moldar, ainda que com influência limitada no curto prazo.

O quadro diplomático após Nova York

Após a prisão de Maduro, que foi levada para os Estados Unidos e compareceu a um tribunal federal em Manhattan para enfrentar acusações de narcotráfico e “narco-terrorismo”, segundo agências internacionais, a Venezuela vive um momento de grande instabilidade institucional e política. Autoridades venezuelanas e aliados de Caracas denunciaram violações de direito internacional e usaram o embate como argumento para buscar maior apoio em fóruns multilaterais como a ONU. 

Do lado brasileiro, a postura oficial concentra-se em rejeitar o uso da força e defender o multilateralismo, pedindo soluções pacíficas e respeito à soberania, ainda que admita que mecanismos como o Conselho de Segurança têm capacidade limitada para impor mudanças concretas sem consenso entre as grandes potências.
 

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