A líder da oposição venezuelana María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, declarou neste sábado (3) que a Venezuela entrou oficialmente em um processo de transição democrática após a captura do presidente Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos em uma operação militar em Caracas. A declaração marca um momento crítico na crise política do país e ressalta os esforços da oposição para consolidar uma nova fase de governo.
Declaração de transição e chamada às instituições
Em um comunicado divulgado nas redes sociais e encaminhado à imprensa internacional, Machado afirmou que a captura de Maduro representa uma oportunidade para restaurar a soberania popular e nacional no país, após anos de polarização e disputas em torno da legitimidade do governo. A líder oposicionista ressaltou que a ação norte-americana foi uma resposta à recusa de Maduro em buscar uma saída pacífica e negociada do poder e que agora é o momento de avançar para uma mudança política profunda.
Machado convocou as instituições venezuelanas e a comunidade internacional a reconhecerem Edmundo González Urrutia como presidente legítimo da Venezuela. González, exilado e amplamente apoiado por boa parte da oposição e por países estrangeiros que questionaram a eleição de 2024, foi visto por Machado como a figura constitucional adequada para liderar o país nesse novo capítulo.
Apelo às Forças Armadas e manutenção da ordem
No pronunciamento, a líder oposicionista fez um apelo direto às Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB), pedindo que oficiais e tropas reconheçam González Urrutia como seu novo Comandante-em-Chefe, com o objetivo declarado de evitar confrontos internos e assegurar a manutenção da ordem pública durante o processo de transição política.
Machado também destacou a importância da libertação imediata de presos políticos, da abertura de corredores humanitários e da mobilização de venezuelanos tanto dentro quanto fora do país para apoiar a reconstrução da nação.
Contexto da operação militar dos EUA
A captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, foi confirmada pelo governo dos Estados Unidos, que liderou uma operação militar em Caracas e em outras áreas do país. O presidente americano, Donald Trump, descreveu a ação como um ataque “cirúrgico” que fez cumprir a lei, considerando as acusações de narcotráfico e outras infrações atribuídas a Maduro por autoridades norte-americanas.
A operação, que incluiu bombardeios a alvos estratégicos e envolveu unidades de forças especiais, ocorreu em meio a intensas controvérsias sobre sua legalidade e implicações para a soberania venezuelana. A ação provocou reações internacionais diversas, com aliados dos Estados Unidos saudando a medida e outros países criticando-a como uma violação do direito internacional.
Incerto futuro político e reações internacionais
Especialistas internacionais observaram que, embora a captura de Maduro e a declaração de Machado marquem um ponto de inflexão, ainda existem incertezas sobre o quão efetiva será a transição democrática na Venezuela. A estabilidade política do país dependerá, em grande parte, da adesão das forças militares, do reconhecimento global de González Urrutia e da capacidade de estabelecer um governo inclusivo e legítimo.
A situação permanece fluida, com comunidades locais e observadores internacionais acompanhando de perto as reações dentro de Caracas e em outras regiões do país, onde o clima político continua tenso após os eventos desta madrugada.


