A ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, que teria resultado na captura do presidente Nicolás Maduro na madrugada deste sábado (3), provocou uma onda de manifestações entre parlamentares de Mato Grosso do Sul. As reações variaram entre apoio e crítica, refletindo a polarização política em nível estadual frente a um dos episódios mais impactantes da política hemisférica em décadas.
Celebrando a ação e o fim de um regime
Rodolfo Nogueira
O deputado estadual Rodolfo Nogueira comemorou nas redes sociais a notícia da prisão de Maduro, publicando uma imagem do líder venezuelano supostamente capturado e declarando que o episódio representava a “liberdade do povo venezuelano”. Sua mensagem foi compartilhada com entusiasmo entre apoiadores, reforçando o tom positivo adotado por parte da bancada pró-operção.
Rafael Tavares
O vereador Rafael Tavares (PL), também de Campo Grande, foi outro que celebrou a queda de Maduro. Em suas redes sociais, Tavares ironizou simpatizantes do regime chavista e enfatizou que os responsáveis pelos crimes sob o governo venezuelano “teriam de pagar por tudo”, reafirmando que a prisão do presidente significaria um marco histórico.
Críticas e preocupações de parlamentares progressistas
Gleice Jane
A deputada Gleice Jane (PT) expressou forte crítica à operação, alertando que intervenções estrangeiras violam a soberania dos países e podem gerar instabilidade regional. Para ela, defender a Venezuela diante da ofensiva dos EUA é também reafirmar a autodeterminação dos povos latino-americanos.
Luiza Ribeiro
A vereadora Luiza Ribeiro (PT), de Campo Grande, classificou o ataque como “inaceitável” e um golpe contra o povo venezuelano. Em suas redes sociais, ela enfatizou que a ação militar é uma afronta à autodeterminação e um exemplo de interferência externa indevida.
Outras posições destacadas
Nelsinho Trad
O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) abordou a necessidade de debate institucional interno diante da ofensiva. Trad sugeriu a possível convocação de reuniões extraordinárias do Congresso e da Comissão de Relações Exteriores mesmo durante o recesso parlamentar, caso seja necessário discutir mais profundamente os desdobramentos da operação americana.
Tereza Cristina
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) usou as redes sociais para criticar a postura do governo federal diante dos acontecimentos internacionais. Para ela, a situação evidencia que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria perdido influência política na América Latina, inclusive por causa de uma relação que ela qualificou como ambígua com o governo venezuelano ao longo dos últimos anos.
Cenário de debate político em MS
As declarações dos parlamentares sul-mato-grossenses espelham uma divisão ideológica mais ampla no país: de um lado, representantes do Partido Liberal (PL) e aliados apoiam a ofensiva dos EUA e veem na prisão de Maduro um fim simbólico de um regime autoritário; de outro, membros da base governista e de esquerda repudiam a intervenção, apontando riscos à soberania e à estabilidade regional. A proposta de Trad de retomar discussões parlamentares durante o recesso também aponta para a seriedade com que alguns legisladores veem o capítulo internacional.
Impacto político local e futuro das relações
A amplitude das opiniões dos políticos de Mato Grosso do Sul sobre este episódio sugere que a repercussão da ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela terá efeitos duradouros no debate político doméstico. A diversidade de discursos — de celebrações à convocação de debates urgentes e críticas severas — ilustra como um acontecimento geopolítico pode influenciar diretamente o posicionamento e a agenda dos parlamentares estaduais.


