Por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o governo federal estruturou um plano de contingência para lidar com um eventual crescimento no fluxo de venezuelanos que ingressam no Brasil pela fronteira com Roraima, caso a situação no país vizinho se deteriore.
Neste sábado (3), a passagem em Pacaraima (RR) foi fechada por decisão das autoridades venezuelanas, segundo integrantes do governo brasileiro ouvidos pela reportagem. A medida ocorre em meio à escalada de tensões envolvendo a Venezuela e os Estados Unidos.
Planejamento começou ainda em dezembro
Ainda em dezembro, diante de sinais de instabilidade regional e de declarações do presidente norte-americano Donald Trump sobre possíveis ações contra o governo venezuelano, a Casa Civil passou a formular estratégias para enfrentar um cenário de aumento migratório. Atualmente, o número de venezuelanos que entram diariamente no Brasil varia entre 300 e 500 pessoas, mas a avaliação interna é de que esse contingente pode crescer significativamente após os recentes ataques ao território venezuelano.
O planejamento está sendo conduzido por um comitê interministerial responsável pela Operação Acolhida, que reúne representantes da Casa Civil, do Ministério da Defesa e das pastas da Justiça, Saúde e Desenvolvimento Social. Sob coordenação do secretário-executivo adjunto da Casa Civil, Pedro Pontual, o grupo realizou reuniões extraordinárias no fim do ano para definir medidas específicas voltadas ao acolhimento de refugiados.
Escalada militar eleva alerta no governo brasileiro
Na madrugada deste sábado, o governo venezuelano informou ter sido alvo de uma “agressão militar” dos Estados Unidos, após explosões atingirem Caracas e outras regiões do país, o que levou à decretação de estado de emergência. Pouco depois, o presidente Donald Trump afirmou que o líder venezuelano Nicolás Maduro foi capturado e retirado do país.
Diante do novo cenário, o governo brasileiro convocou uma reunião de emergência com ministros para a manhã deste sábado, com o objetivo de avaliar os desdobramentos do ataque norte-americano à Venezuela. O encontro foi articulado pela secretária-geral do Itamaraty, Maria Laura da Rocha. Desde as primeiras horas do dia, a diplomacia brasileira trabalha na coleta de informações sobre os acontecimentos.


