O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) passou, nesta segunda-feira (29), por mais um procedimento médico no Hospital DF Star, em Brasília, onde está internado desde antes do Natal. A nova intervenção faz parte do tratamento para controlar crises persistentes de soluço que surgiram após uma cirurgia abdominal recente. O caso mobilizou apoiadores e voltou a chamar atenção para o histórico de complicações de saúde enfrentadas por Bolsonaro desde 2018.
24 de dezembro: internação em Brasília
Bolsonaro foi internado no Hospital DF Star na véspera de Natal para avaliação médica e preparação para um procedimento cirúrgico. A unidade é a mesma onde ele já realizou outros tratamentos nos últimos anos e concentra parte de seu acompanhamento clínico desde o atentado sofrido durante a campanha presidencial de 2018.
25 de dezembro: cirurgia para correção de hérnia
No dia de Natal, o ex-presidente foi submetido a uma cirurgia para correção de uma hérnia inguinal bilateral. O procedimento foi considerado bem-sucedido pela equipe médica, e Bolsonaro iniciou o processo de recuperação ainda sob observação hospitalar.
Apesar da evolução considerada satisfatória no pós-operatório imediato, o quadro clínico apresentou uma intercorrência nos dias seguintes.
26 e 27 de dezembro: surgem crises de soluço persistente
Durante a internação, Bolsonaro passou a apresentar episódios prolongados de soluço, condição que, embora comum em situações isoladas, pode indicar irritação do nervo frênico — responsável por estimular o diafragma — quando se torna recorrente ou resistente a medicação.
No sábado (27), os médicos decidiram realizar um bloqueio anestésico do nervo frênico direito, na tentativa de interromper os espasmos involuntários. O procedimento é utilizado em casos específicos e consiste na aplicação de anestésico local próximo ao nervo, com efeito temporário.
29 de dezembro: novo procedimento e pedido de orações
Como os sintomas persistiram, a equipe médica optou por repetir a intervenção, desta vez no nervo frênico esquerdo. A informação foi confirmada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que publicou uma mensagem nas redes sociais pedindo apoio espiritual.
“Meu amor acabou de ir para o centro cirúrgico para realizar o segundo procedimento de bloqueio anestésico do nervo frênico. Peço que estejam em oração por ele e por toda a equipe médica”, escreveu.
Segundo especialistas, o bloqueio do nervo frênico é uma radiointervenção realizada sob anestesia, com efeito estimado entre 12 e 18 horas, podendo ser repetida conforme a resposta clínica do paciente.
O que é o bloqueio do nervo frênico
O nervo frênico controla os movimentos do diafragma, músculo essencial para a respiração. Quando estimulado de forma inadequada, pode causar crises de soluço prolongado. O bloqueio anestésico interrompe temporariamente a condução nervosa, permitindo alívio dos sintomas.
Em protocolos internacionais, o procedimento é indicado apenas quando abordagens convencionais — como medicamentos e ajustes clínicos — não apresentam resultado satisfatório.
Acompanhamento e próximos passos
Após o procedimento desta segunda-feira, Jair Bolsonaro permanece internado para observação. O plano de cuidados inclui acompanhamento clínico contínuo, sessões de fisioterapia, medidas de prevenção contra trombose venosa e outras ações típicas do período pós-operatório.
A equipe médica ainda não informou previsão de alta hospitalar.
Histórico de saúde
Desde o atentado a faca sofrido em setembro de 2018, Bolsonaro já passou por diversas cirurgias e internações relacionadas ao sistema digestivo. Médicos e especialistas apontam que esse histórico contribui para um maior risco de complicações e intercorrências em procedimentos posteriores, exigindo monitoramento mais rigoroso.
Até o momento, não há indicação de agravamento do quadro geral, e o ex-presidente segue sob cuidados médicos especializados.


