O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) passa por uma cirurgia na manhã desta quinta-feira (25), feriado de Natal, no Hospital DF Star, em Brasília. O procedimento tem como objetivo principal a correção de uma hérnia inguinal bilateral e o tratamento de episódios persistentes de soluços. A intervenção cirúrgica foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), uma vez que Bolsonaro cumpre pena de prisão na capital federal.
Exames pré-operatórios e estado de saúde
Bolsonaro deu entrada no Hospital DF Star na manhã desta quarta-feira (24), por volta das 9h40, escoltado pela Polícia Federal, para a realização de exames pré-operatórios. De acordo com boletim médico divulgado pela equipe que o acompanha, os exames indicaram pequenas alterações de saúde, sem impedimentos para a cirurgia.
Uma angiotomografia revelou a presença de placas de gordura nas coronárias, enquanto exames laboratoriais apontaram leve alteração na função renal. O ecocardiograma apresentou resultado dentro da normalidade. Ao chegar ao hospital, o ex-presidente apresentava quadro de leve desidratação e foi submetido à hidratação venosa. Os médicos também relataram um estado de ansiedade, associado à situação carcerária.
Detalhes do procedimento cirúrgico
A cirurgia, classificada como eletiva, tem duração estimada entre três e quatro horas. Segundo o cirurgião-geral Claudio Birolini, responsável pelo acompanhamento do caso, trata-se de uma intervenção considerada de menor complexidade quando comparada a cirurgias anteriores realizadas pelo ex-presidente.
“O procedimento é padronizado, com menor risco de complicações”, afirmou Birolini. O médico destacou que a operação é significativamente mais simples do que a realizada em abril, que durou cerca de 12 horas. “A diferença é que aquela foi uma cirurgia de emergência em um abdômen hostil. Esta é uma cirurgia eletiva”, explicou.
A herniorrafia inguinal consiste no reposicionamento do tecido extravasado e no reforço da parede abdominal com uma tela de polipropileno. A condição ocorre quando há uma abertura na musculatura abdominal que permite a passagem de alças intestinais, provocando dor e desconforto.
Após a cirurgia, a equipe médica também poderá avaliar a aplicação de anestesia na região do diafragma, como tentativa de reduzir os episódios de soluços persistentes que vêm afetando Bolsonaro.
Internação, escolta e restrições
A previsão é de que Bolsonaro permaneça internado por até sete dias. Durante o período, ele será acompanhado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, única pessoa autorizada a permanecer com o ex-presidente durante toda a internação. Por determinação judicial, Michelle deverá permanecer sem telefone celular enquanto estiver no hospital.
O ministro Alexandre de Moraes também determinou a proibição do uso de celulares e outros equipamentos eletrônicos no quarto de Bolsonaro, permitindo apenas aparelhos médicos. Dois agentes da Polícia Federal permanecem na porta do quarto, seguindo o protocolo de segurança.
Inicialmente, Moraes havia restringido as visitas apenas à esposa, mas posteriormente autorizou que Flávio e Carlos Bolsonaro visitassem o pai, desde que respeitadas as regras do hospital e mediante autorização judicial prévia.
Carta divulgada antes da cirurgia
Momentos antes do procedimento, Jair Bolsonaro divulgou uma “Carta aos Brasileiros”, lida pelo senador Flávio Bolsonaro na porta do hospital. No texto, o ex-presidente afirma que, diante do que classifica como um cenário de “injustiça”, decidiu indicar o filho Flávio como pré-candidato à Presidência da República em 2026.
Na carta, Bolsonaro declarou entregar “o que há de mais importante na vida de um pai” à missão de “resgatar o Brasil”, afirmando que o filho representa a continuidade de seu projeto político. O texto termina com uma mensagem religiosa e a defesa de valores como Deus, pátria, família e liberdade.
Reações da família
O vereador Carlos Bolsonaro esteve no Hospital DF Star na quarta-feira (24) e comentou brevemente a situação do pai. “Para mim, será um excelente presente de Natal poder ver meu pai”, declarou à imprensa.
Já o senador Flávio Bolsonaro afirmou que não havia motivos para adiar a cirurgia. Segundo ele, o procedimento é necessário para corrigir sequelas antigas. O parlamentar agradeceu as manifestações de apoio e ressaltou a importância da recuperação do pai.
Em publicação nas redes sociais, Michelle Bolsonaro pediu orações pelo marido e pela equipe médica. “Conto com a compreensão de todos e retornarei assim que possível”, escreveu.
Contexto judicial
Jair Bolsonaro está detido na Superintendência da Polícia Federal desde 22 de novembro. A prisão ocorreu após o ex-presidente descumprir medidas judiciais, incluindo a queima da tornozeleira eletrônica que utilizava enquanto cumpria prisão domiciliar. A autorização para a cirurgia foi concedida após perícia da Polícia Federal apontar a necessidade da correção das duas hérnias inguinais.
A operação ocorre sob monitoramento das autoridades e segue protocolos específicos de segurança definidos pelo STF.


