Uma campanha publicitária de fim de ano da Havaianas, estrelada pela atriz Fernanda Torres, virou alvo de forte repercussão nas redes sociais e de pedidos de boicote por parte de políticos e influenciadores ligados à direita brasileira.
A campanha e a frase que acendeu a polêmica
Lançado em meados de dezembro, o comercial traz Fernanda Torres dizendo: “Desculpa, mas eu não quero que você comece 2026 com o pé direito”, e sugerindo que o importante é iniciar o ano “com os dois pés”. A atriz explica no vídeo que a mensagem não é contra a sorte, mas sim um convite para que as pessoas entrem no novo ano com atitude e envolvimento pessoal em seus projetos.
O trecho — apesar de humorístico e focado em motivação — rapidamente repercutiu nas redes e foi interpretado por parte do público como uma indireta ou posicionamento político encoberto devido ao uso da expressão “pé direito”, que acabou sendo associada ideologicamente por críticos.
Reações de políticos e pedidos de boicote
A resposta mais visível veio de lideranças e figuras públicas alinhadas à direita. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou nas redes sociais que, com a campanha, “Havaianas, nem todo mundo agora vai usar”, sugerindo uma perda de apoio dos consumidores conservadores.
O senador Eduardo Pazuello (PL-AM) criticou o comercial por “provocar e dividir”, descrevendo a peça como um “desserviço à sociedade” e argumentando que a marca estaria desrespeitando valores defendidos por parte do público.
Outros nomes, como o vereador Gilson Machado Filho (PL-PE), ironizaram a Havaianas dizendo que começariam 2026 “com o pé direito em outra marca”, incentivando consumidores a optarem por concorrentes.
Em alguns casos, influenciadores digitais também gravaram vídeos e postagens incentivando o boicote, acusando a marca de “politizar” a publicidade ou de adotar um suposto “viés ideológico”.
Debate nas redes e bloqueio de comentários
A repercussão cresceu rapidamente nos perfis sociais da Havaianas e de Fernanda Torres. Antes da marca bloquear os comentários em seu perfil oficial no Instagram, a publicação recebeu uma mistura de críticas, ironias e também manifestações de apoio à campanha — com defensores afirmando que a mensagem era apenas motivacional e não tinha qualquer intenção política.
Alguns usuários aproveitaram a polêmica para debochar da situação, apontando que a reação exagerada acabou dando ainda mais visibilidade gratuita à marca, num fenômeno comum em disputas culturais nas plataformas digitais.
Contexto e interpretação publicitária
Especialistas em marketing ouvidos nas redes criticaram a estratégia da campanha por, segundo eles, não considerar o clima político e social de 2026, que será um ano eleitoral no Brasil. Eles avaliam que campanhas publicitárias de marcas de grande consumo precisam dialogar com um público mais amplo, minimizando polarizações.
Até o momento, nem a Havaianas nem Fernanda Torres emitiram declarações oficiais sobre a polêmica ou sobre os pedidos de boicote desencadeados nas redes sociais.
Impacto e repercussão além da polêmica
A controvérsia gerada pela publicidade da Havaianas exemplifica como elementos aparentemente inofensivos — como um trocadilho com expressões populares — podem ganhar leituras políticas num contexto de polarização. O episódio também reflete o crescente cruzamento entre marketing de marcas tradicionais e debates sociopolíticos nas plataformas digitais.
A polêmica ainda segue em discussão nas redes, com defensores e críticos da campanha manifestando opiniões diversas sobre a linha tênue entre criatividade publicitária e interpretações ideológicas na comunicação de grandes marcas.


