O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), não deve permanecer no cargo a partir de 2026, segundo informações de bastidores da base governista e do Palácio do Planalto. A possível saída ocorre após o desgaste político provocado pela condução do Projeto de Lei da Dosimetria, que avançou no Congresso em meio a críticas de aliados do próprio governo.
Na última quarta-feira (17), Wagner reconheceu publicamente ter firmado um “acordo de procedimento” para viabilizar o avanço do projeto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Segundo o senador, a iniciativa teve como objetivo destravar a pauta econômica do governo, ainda que tenha assumido diretamente a articulação política em torno do tema.
A declaração foi feita após o senador Renan Calheiros (MDB-AL) afirmar que Wagner teria solicitado a inclusão do projeto na pauta de votação da CCJ como parte de uma estratégia política mais ampla. O acordo acabou sendo determinante para que o texto avançasse na comissão e seguisse para o plenário.
O PL da Dosimetria, aprovado pelo Senado por 48 votos a 25, altera critérios de cálculo de penas e pode beneficiar condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. A proposta gerou forte reação dentro do governo e em setores da base aliada, que avaliam que o texto enfraquece a resposta institucional a crimes contra a democracia.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já sinalizou que pretende vetar o projeto, o que deve abrir um novo embate com o Congresso no início do próximo ano. Internamente, aliados do governo avaliam que a condução do tema por Jaques Wagner expôs falhas de articulação e falta de alinhamento com o Planalto.
Apesar de a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, ter afirmado que a permanência de Wagner não estava formalmente em debate naquele momento, o episódio aprofundou o desgaste político do senador na liderança do governo. Nos bastidores, cresce a expectativa de que Lula promova uma mudança no comando da liderança governista no Senado no início de 2026.
Entre os nomes citados como possíveis substitutos está o senador Rogério Carvalho (PT-SE), visto como alternativa para recompor a articulação política e reduzir tensões com a base aliada.
A controvérsia em torno do PL da Dosimetria evidenciou divisões internas no Congresso e deve continuar nos próximos meses, especialmente durante a análise de eventuais vetos presidenciais, mantendo o tema como um dos principais focos de embate entre Executivo e Legislativo.


