O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que pretende deixar o comando da pasta no início de 2026, antes do prazo tradicional de desincompatibilização eleitoral, com o objetivo de colaborar diretamente na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A previsão é que a saída ocorra antes de março, segundo declarou durante evento recente em São Paulo. As informações são da coluna Painel, da Folha de S. Paulo.
Haddad já havia indicado, em entrevistas anteriores, que sua atuação fora do governo poderia envolver desde a coordenação política da campanha até a elaboração de propostas programáticas para um eventual novo mandato de Lula. A avaliação no entorno do ministro é de que sua presença fora da Esplanada permitiria maior dedicação ao processo eleitoral, em um cenário considerado estratégico pelo Palácio do Planalto.
Apesar do interesse do Partido dos Trabalhadores em lançá-lo como candidato ao governo de São Paulo ou ao Senado, Haddad tem demonstrado resistência a disputar cargos eletivos em 2026. Integrantes da sigla, no entanto, acreditam que um pedido direto do presidente poderia levá-lo a rever essa posição. Caso aceite concorrer, o ministro precisaria se afastar oficialmente do cargo até o início de abril.
Nos bastidores do Ministério da Fazenda, já se discute a sucessão. O nome mais citado para assumir a pasta é o do atual secretário-executivo, Dario Durigan, que tem participado das principais decisões econômicas e é visto como alguém capaz de garantir continuidade à agenda fiscal do governo.
A eventual saída de Haddad ocorre em meio a negociações delicadas entre Executivo e Congresso sobre medidas de ajuste fiscal. Em encontros recentes, o ministro tem defendido que o impasse não se transforme em uma disputa de responsabilidades entre os Poderes, alertando que a falta de consenso pode comprometer soluções para o equilíbrio das contas públicas.

