Uma nova rodada de pesquisa eleitoral divulgada nesta sexta-feira indica que José Antonio Kast segue consolidando uma ampla vantagem na corrida presidencial do Chile. O candidato conservador aparece com 56,9% das intenções de voto, enquanto sua adversária, Jeannette Jara, soma 35%. Quando considerados apenas os votos válidos — aqueles que excluem brancos, nulos e indecisos — Kast chega a 61,9%, abrindo uma diferença elevada sobre a candidata governista.
O estudo ouviu 9.012 adultos entre 22 e 27 de novembro de 2025, com margem de erro de 1,1 ponto percentual e nível de confiança de 95%.
Intenção de voto e percepção pública dos candidatos
O desempenho de Kast acompanha um cenário favorável de imagem. Segundo o levantamento, ele é o único entre os principais nomes avaliados a apresentar saldo positivo: 52% dos entrevistados têm uma opinião favorável sobre o candidato, enquanto 42% afirmam vê-lo de forma negativa.
A situação de Jeannette Jara é oposta. A ex-ministra tem maioria de avaliações negativas — cerca de 62% afirmam possuir visão desfavorável sobre ela, ampliando sua dificuldade de tração na reta final da campanha.
Crise de imagem do governo Boric pesa no cenário eleitoral
O desgaste do governo atual também tem papel central na disputa. A pesquisa mostra que 63,9% dos chilenos desaprovam a gestão do presidente Gabriel Boric. Apenas 34,2% aprovam seu desempenho.
A avaliação geral do governo é predominantemente negativa:
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55,6% consideram a administração “ruim” ou “péssima”;
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27% classificam como “boa” ou “excelente”.
Os entrevistados apontam ainda os temas que mais afetam sua percepção sobre o país: insegurança pública, criminalidade, narcotráfico, aumento de preços, corrupção e fragilidades no sistema judicial lideram a lista de principais preocupações. Para analistas, esse ambiente favorece candidatos de linha dura e com discurso conservador — perfil no qual Kast se encaixa.
O que esperar da reta final da campanha
Com o segundo turno marcado para 14 de dezembro, a vantagem de Kast se mostra consistente, mas não irreversível. A rejeição elevada de Jara e a imagem positiva de Kast entre parte significativa da população criam um terreno de disputa desigual, especialmente diante do desgaste acumulado pelo governo.
Para a candidata governista, o desafio é reverter sua imagem negativa e atrair eleitores que votaram em candidaturas de centro ou direita na etapa anterior. Será necessário ainda mobilizar a base tradicional da esquerda em um contexto de descrédito generalizado com o atual governo.
No momento, porém, os números reforçam um cenário claro: Kast entra nesta fase decisiva como favorito, sustentado por uma combinação de imagem positiva, desempenho consistente nas pesquisas e o peso da rejeição ao governo. Como mostram ciclos eleitorais anteriores no país, mudanças ainda são possíveis — mas o caminho para Jara é estreito.


