O Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou nesta terça-feira (25) uma nota oficial negando as especulações de que o rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, estaria em tratativas para se filiar à sigla e disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro nas eleições de 2026.
Em comunicado, o diretório municipal do PT no Rio de Janeiro classificou a informação como infundada:
Boatos surgiram a partir de suposta sondagem
Os rumores sobre a filiação de Oruam começaram a circular após reportagens que apontavam para uma suposta reunião entre a equipe do artista e dirigentes do PT no Rio, com vistas a discutir sua pré-candidatura para 2026.
O caso ganhou repercussão nacional porque Oruam é uma figura polêmica: ele é filho de Marcinho VP, histórico líder da facção criminosa Comando Vermelho, atualmente preso em penitenciária federal.
Diante da repercussão, a direção do PT decidiu quebrar o silêncio para afirmar que não há vínculo entre a sigla e o artista.
Tentativas de diversificar a base política
O episódio ocorre no contexto de uma série de convites que o PT vinha fazendo a influenciadores e artistas com objetivo de “arejar” a política. Recentemente, por exemplo, o partido convidou o influenciador digital Chico Moedas.
No entanto, no caso de Oruam, o partido decidiu romper com rumores de filiação, colocando um veto público à especulação.
Histórico do artista: sucesso e controvérsia
Oruam despontou no cenário nacional como rapper e cantor, com músicas populares na cena do trap e funk.
No entanto, sua trajetória também está marcada por polêmicas: ele é investigado por denúncias que o acusam de associação ao crime organizado, e sua proximidade familiar com Marcinho VP — condenado líder da facção Comando Vermelho — intensificam as críticas.
Esse contexto de denúncias e investigações motivou debates públicos sobre a “legitimidade moral” e os riscos de candidaturas associadas a nomes com histórico de violência e crime organizado.
O que diz o PT e o que se sabe até agora
Contexto político e repercussão
A negação do PT se dá em um momento em que correntes políticas tentam se aproximar de influenciadores, artistas e pessoas com grande engajamento popular — estratégia para atrair segmentos jovens e periféricos. A suposta filiação de Oruam, portanto, representava uma possível guinada nessa direção.
Mas a associação de um nome com histórico controverso e acusações graves tornou o movimento sensível demais, obrigando o partido a tomar uma postura pública de distanciamento. Essa negativa pública também evidencia a preocupação das legendas com a imagem institucional e com os efeitos de eventual desgaste simbólico diante da opinião pública.
Para Oruam, a recusa do PT encerra por enquanto a possibilidade de uma filiação formal — mas não apaga o debate sobre a presença de artistas de perfil polarizador na política nacional, nem a crescente pressão sobre legislações e iniciativas como a “lei anti-Oruam”, que tenta proibir uso de recursos públicos para contratar artistas com suposta apologia ao crime.



