O ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres, foi preso pela Polícia Federal (PF) na tarde desta terça-feira (25), em Brasília. A detenção ocorre horas após o Supremo Tribunal Federal (STF) declarar o trânsito em julgado das condenações relacionadas à tentativa de golpe de Estado — etapa que encerra todos os possíveis recursos e autoriza o início imediato do cumprimento das penas.
Torres, condenado a 24 anos de prisão, será mantido no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, o Papudinha, unidade destinada a abrigar agentes de segurança condenados. Ele havia solicitado ao STF para cumprir pena na Superintendência da PF ou no Batalhão de Aviação Operacional (Bavop), mas o pedido não foi atendido.
Prisão ocorreu no escritório do advogado
No início da tarde, agentes da PF foram até a residência de Torres, no Jardim Botânico, mas não o encontraram. Momentos depois, a corporação confirmou que ele havia sido localizado e preso no escritório de seu advogado, Eumar Novacki, no Lago Sul.
Ex-delegado da PF, Torres foi imediatamente encaminhado à unidade onde cumprirá pena em regime inicial fechado.
STF conclui processo e amplia prisões de aliados de Bolsonaro
A prisão de Torres integra a série de cumprimentos de pena autorizados após o STF declarar o trânsito em julgado do processo da trama golpista envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e integrantes do chamado “núcleo 1” da articulação.
Além de Torres, também tiveram as penas executadas nesta terça-feira:
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Augusto Heleno, ex-chefe do GSI
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Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa
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Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-diretor da Abin
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Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha
Heleno, Nogueira e Garnier foram presos e levados ao Comando Militar do Planalto (CMP), que preparou celas específicas para militares condenados.
Condenação: operação da PRF, 8 de janeiro e minuta golpista
Torres foi condenado a 24 anos de prisão — sendo 21 anos e seis meses de reclusão e 2 anos e seis meses de detenção — por participação ativa na tentativa de golpe de Estado.
A sentença do STF levou em conta três elementos principais:
1. Ação irregular da PRF durante o segundo turno de 2022
Segundo o ministro Alexandre de Moraes, Torres articulou uma operação para que a Polícia Rodoviária Federal dificultasse o acesso de eleitores às urnas em regiões onde Lula tinha vantagem eleitoral.
2. Omissão e conivência nos atos de 8 de janeiro
Na época dos ataques às sedes dos Três Poderes, Torres era secretário de Segurança do DF. Ele deixou o país dois dias antes, mesmo após alertas de inteligência sobre risco de invasão.
3. Minuta do decreto golpista
Durante buscas, a PF encontrou em sua casa a chamada “minuta do golpe”, documento que previa intervenção irregular na Justiça Eleitoral. Para o STF, o texto reforça o planejamento para subverter o resultado das eleições.
Defesa cita quadro depressivo
Em petição enviada ao STF na segunda-feira (24/11), a defesa afirmou que Torres enfrenta um quadro de depressão desde sua primeira prisão, em 2023, e faz uso contínuo de medicamentos antidepressivos e antipsicóticos. Os advogados argumentaram que a saúde mental dele seria incompatível com o ambiente de um presídio comum.
O argumento não foi suficiente para alterar o local de cumprimento da pena.
Esposa reage e pede anistia: “É a nossa única esperança”
Logo após a prisão, a esposa de Torres, Flávia Michele Sampaio, divulgou um vídeo defendendo a anistia aos condenados pelo caso.
“Essa anistia tem que sair. É a única esperança que nós temos, para que todo mundo saia vivo e com saúde mental digna”, declarou.
Ela ainda afirmou que a família vive situação de exposição e sofrimento:
“Somos pessoas assalariadas, que lutaram por uma vida honesta. Não é justo passar por isso. Eu, minhas filhas, todos expostos dessa forma.”
A fala ecoa um movimento crescente entre apoiadores dos condenados, que tentam pressionar o Congresso a votar uma eventual proposta de anistia — iniciativa que, até o momento, não avançou.
Repercussão política
A conclusão do processo pelo STF marca mais um ponto de tensão na crise política envolvendo aliados de Jair Bolsonaro. O ex-presidente também teve o trânsito em julgado declarado, embora já esteja preso preventivamente por outro processo, ligado ao descumprimento de tornozeleira e suposto risco de fuga.
A detenção de Torres, um dos personagens centrais da articulação golpista, fortalece a narrativa do STF de que havia uma estrutura organizada para tentar impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva em 2023.



