Durante seu pronunciamento neste domingo (23), na Cúpula de Líderes do G20, o presidente Lula comentou a prisão preventiva decretada no sábado (22) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro — medida tomada pela Justiça brasileira sob a justificativa de risco de fuga, após indícios de violação da tornozeleira eletrônica que monitorava o ex-mandatário.
Lula evitou aprofundar o assunto, mas declarou que “todo mundo sabe o que o ex-presidente fez” e afirmou que Bolsonaro cumprirá a pena imposta pela Justiça.
Questionado sobre possíveis impactos diplomáticos, especialmente na relação com o ex-presidente norte-americano Donald Trump — com quem Bolsonaro mantinha alinhamento político — Lula foi direto: o Brasil é “um país soberano” e “o que a Justiça decidir, está decidido”.
A prisão preventiva foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, que apontou risco concreto de fuga, especialmente após Bolsonaro ser flagrado danificando sua tornozeleira eletrônica. Moraes também mencionou a vigília organizada por apoiadores do ex-presidente, liderada por seu filho Flávio Bolsonaro, como elemento que poderia gerar tumultos e comprometer a ordem pública.
Bolsonaro havia sido condenado em setembro a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar uma organização criminosa e conspirar para um golpe contra a democracia após perder a eleição de 2022. Sua defesa buscava substituição da prisão por regime domiciliar, alegando problemas de saúde, mas a Justiça optou pela custódia preventiva.
Lideranças do PT afirmam que a detenção foi motivada por questões de preservação da ordem pública. O deputado Lindbergh Farias declarou que Bolsonaro continuava atuando politicamente, mesmo em prisão domiciliar, e que a mobilização organizada por seu filho reforçava riscos à estabilidade institucional.


