O ex-presidente Jair Bolsonaro participou na manhã deste domingo (23) de uma audiência de custódia após ter a prisão preventiva decretada no sábado (22). Ele foi conduzido primeiramente para um exame de corpo de delito, conforme determina o procedimento legal, antes de ser apresentado ao juiz responsável.
Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, a audiência ocorre para avaliar a legalidade da prisão, as condições em que foi realizada e eventuais irregularidades no processo. Bolsonaro teve a prisão preventiva decretada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que argumentou risco de fuga e descumprimento de medidas cautelares — incluindo a suspeita de violação de sua tornozeleira eletrônica.
A defesa do ex-presidente solicita que a prisão seja convertida em domiciliar, alegando problemas de saúde e ausência de risco à ordem pública. No entanto, o Ministério Público vê necessidade de manutenção da custódia, principalmente devido à mobilização organizada por aliados e familiares após a detenção.
Moraes autoriza visita de Michelle Bolsonaro, mas veta entrada dos filhos
Enquanto Bolsonaro aguardava a audiência de custódia, o ministro Alexandre de Moraes autorizou que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro visitasse o marido. A autorização, porém, veio acompanhada de uma restrição: os filhos do ex-presidente — Carlos, Eduardo e Flávio Bolsonaro — não estão autorizados a participar das visitas.
Segundo a decisão, a medida busca evitar qualquer tipo de agitação política ou articulação paralela que possa interferir no andamento do processo ou gerar riscos à ordem pública. Flávio Bolsonaro, inclusive, foi citado por Moraes em decisões recentes por ter incentivado apoiadores a se mobilizarem em frente à residência onde o pai cumpria prisão domiciliar, antes da conversão em preventiva.
A defesa de Michelle Bolsonaro ainda não se manifestou publicamente, mas aliados afirmam que ela pretende visitar o marido o mais breve possível, respeitando os parâmetros estabelecidos pelo STF.
Contexto da prisão e próximos passos
A prisão preventiva de Jair Bolsonaro foi decretada sob a justificativa de risco concreto de fuga, após a constatação de que sua tornozeleira eletrônica apresentava sinais de adulteração. O ex-presidente também já havia sido condenado em setembro a 27 anos e 3 meses por chefiar uma organização criminosa e por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022 — decisão que ainda está em fase recursal.
Durante a audiência de custódia, o juiz pode decidir por:
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Manter a prisão preventiva
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Converter em prisão domiciliar
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Aplicar novas medidas cautelares
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Ou, em caso de alguma irregularidade, revogar a prisão
A decisão deve ser divulgada ainda neste domingo.
Enquanto isso, o clima político se mantém tenso entre aliados e opositores de Bolsonaro, que acompanham cada movimentação do processo.


