A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro foi mantida neste domingo (23) após audiência de custódia realizada por videoconferência, em Brasília. Durante o depoimento, Bolsonaro afirmou que violou sua tornozeleira eletrônica após sofrer um surto relacionado ao uso de medicamentos. Ele negou que pretendia fugir e disse ter usado um ferro de solda que já possuía em casa.
Violação da tornozeleira e alegações de surto
No relato prestado à juíza, Bolsonaro afirmou que agiu durante um episódio de alteração mental provocado por remédios prescritos por “médicos diferentes”, cuja combinação teria causado efeitos inesperados.
Ele declarou:
“Tive uma certa paranoia.”
Também afirmou:
“Os medicamentos que tenho tomado interagiram de forma inadequada.”
E acrescentou que acreditou haver uma escuta escondida no equipamento:
“Estava com alucinação de que tinha alguma escuta na tornozeleira.”
O ex-presidente explicou que tentou abrir o dispositivo:
“Mexi na tornozeleira para abrir a tampa.”
Bolsonaro negou qualquer intenção de fuga e disse que apenas tentou retirar a parte superior do equipamento, sem romper totalmente a cinta de monitoramento.
Uso do ferro de solda
O ex-presidente confirmou que utilizou um ferro de solda durante a tentativa de violação do equipamento. Ele afirmou:
“Eu já tinha esse ferro em casa, pois fiz curso para operar esse tipo de equipamento.”
O equipamento de monitoramento foi danificado às 0h08 de sábado (22), segundo o Ministério Público, que considera o ato um agravante por demonstrar risco de fuga e descumprimento de medidas judiciais.
Avaliação da juíza e manutenção da prisão
A audiência ocorreu às 12h deste domingo. Após analisar o depoimento, os argumentos da defesa e os documentos da Polícia Federal, a juíza homologou a legalidade da prisão preventiva.
A decisão ocorreu apenas no âmbito da custódia — não é uma revisão da condenação de Bolsonaro, que ainda tramita na Primeira Turma do STF.
Contexto que levou à prisão
Bolsonaro estava em prisão domiciliar até sábado (22), quando o ministro Alexandre de Moraes converteu a pena em prisão preventiva. A decisão foi baseada em dois fatores considerados graves:
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A violação da tornozeleira, entendida como tentativa de burlar o monitoramento.
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A vigília organizada por apoiadores, convocada pelo senador Flávio Bolsonaro, que poderia gerar tumulto e facilitar fuga.
Durante a audiência, Bolsonaro afirmou que a vigília ficava a cerca de 700 metros de sua casa e disse que não pediu sua realização.
Situação jurídica e próximos passos
Com a prisão mantida, Bolsonaro permanece detido enquanto aguarda novas manifestações do Supremo Tribunal Federal e da sua defesa. Ele já havia sido condenado em setembro a 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado e organização criminosa após as eleições de 2022.
A defesa vai recorrer, alegando que Bolsonaro não oferece risco à ordem pública e que o episódio da tornozeleira foi um “surto isolado”.


