Um levantamento realizado entre 6 e9 de novembro com 2.004 entrevistados, e divulgado nesta quartafeira (12), encontra o atual governo com 47% de aprovação e 50% de desaprovação, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Ao mesmo tempo, a preocupação com violência saltou para 38% como principal tema nacional, ultrapassando saúde e economia.
Avaliação de governo e desempenho político
Segundo a pesquisa, a avaliação positiva da gestão de Lula caiu para 31% (ante 33% no mês anterior), enquanto os que consideram o governo negativo chegaram a 38%. Os que avaliam como “regular” somam 28%.
“A curva de melhora parou”, afirma Felipe Nunes, diretor da Quaest, ao referirse ao recuo no apoio após quatro levantamentos consecutivos de alta.
O cenário reflete uma oscilação mínima, mas indica que o mérito da gestão está atravessando uma fase de menor avanço.
Segurança pública e o “consórcio de governadores”
A segurança pública aparece com força no debate público: 46% dos entrevistados afirmam que defendem leis mais rígidas, penas maiores e maior rigor no sistema de Justiça para melhorar a segurança, frente a 27% que priorizam educação e oportunidades sociais.
Além disso, o chamado Consórcio da Paz – formado por governadores de direita com foco em políticas de segurança – recebeu avaliação positiva de 46% dos entrevistados, embora 47% entendam que se trata mais de estratégia política do que de efetiva ação.
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, destacouse entre os entrevistados como o mais bem avaliado do grupo, com 65% de aprovação entre eleitores de direita.
Organizações criminosas, operações e opinião pública
A pesquisa também abordou a opinião sobre a megaoperação policial feita nos complexos do Alemão e da Penha (RJ), que resultou em 121 mortes. A aprovação dessa ação alcançou 67% dos entrevistados, enquanto 25% desaprovaram.
Contudo, 55% manifestaram não querer que operações com esse formato se repitam em seus estados, ainda que 42% estejam a favor de ações semelhantes.
“O crime é nacional. As fronteiras são estaduais, mas o tráfico, as armas e as facções não respeitam esses limites”, disse um dos coordenadores da cooperação estadual — relevando a complexidade de se lidar com segurança pública no país.
Cenário político e repercussão internacional
Entre outros resultados, a pesquisa aponta que 70% dos brasileiros são contra facilitar o acesso a armas de fogo, e 73% apoiam a classificação de organizações criminosas como terroristas.
No campo internacional, o levantamento também avaliou percepções sobre o encontro entre Lula e Donald Trump, mas os dados mostram que segurança doméstica segue predominando entre as prioridades da população brasileira.
O que os números sugerem
O levantamento da Quaest indica que o governo Lula enfrenta agora uma fase de estabilidade frágil em sua aprovação, sem os avanços mais visíveis que marcou nos meses anteriores.
Simultaneamente, o crescimento da preocupação com a violência — e a aprovação de políticas mais duras — revela que a segurança pública está ganhando terreno como tema central de avaliação para o eleitorado.
O resultado reforça que rumos de políticas públicas e de segurança nacional poderão pesar fortemente no próximo ciclo eleitoral, especialmente se as tendências observadas persistirem.


