Advogados ligados à defesa de Jair Bolsonaro (PL) acreditam que o ex-presidente não resistiria por muito tempo caso fosse levado ao Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Segundo eles, a saúde de Bolsonaro é tão frágil que ele poderia ter um “piripaque” nas primeiras semanas de encarceramento, o que obrigaria a Justiça a autorizar sua volta à prisão domiciliar. As informações são da coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo.
Os defensores apontam o histórico médico de Bolsonaro como justificativa para a preocupação. Desde o atentado à faca em 2018, ele passou por seis cirurgias abdominais, além de procedimentos para tratar refluxo, desvio de septo, obstrução intestinal e erisipela. Na avaliação dos advogados, o ex-presidente já demonstrou vulnerabilidade física e emocional, agravada pelo longo período de confinamento domiciliar.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sinalizou nesta semana que avalia a possibilidade de determinar o cumprimento de pena em regime fechado. Para isso, sua chefe de gabinete visitou, acompanhada da juíza Leila Cury — titular da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal —, as dependências da Papuda onde Bolsonaro poderia ser alocado.
Mesmo assim, integrantes da defesa acreditam que um eventual pedido de prisão domiciliar seria negado inicialmente. Contudo, afirmam que, diante de qualquer manifestação real de debilidade, a juíza e o ministro Moraes seriam pressionados a rever a decisão.
Nesta sexta-feira (7), Moraes votou pela rejeição de um recurso da defesa contra a condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. O voto foi acompanhado por Flávio Dino, enquanto Cármen Lúcia e Cristiano Zanin ainda devem se manifestar. O ministro Luiz Fux, que deixou a Primeira Turma do STF, não participará da análise dos recursos.
Segundo Moraes, as questões levantadas pela defesa já foram discutidas e superadas durante o processo, desde a denúncia até o julgamento final.


