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Paternidade

há 8 meses

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Câmara aprova aumento gradual da licença-paternidade para 20 dias

Projeto pretende ampliar o tempo de afastamento do pai de atualmente cinco para até 20 dias em quatro anos, e segue para análise no Senado

A Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira (4) o substitutivo ao Projeto de Lei 3.935/2008, que eleva de 5 para até 20 dias o período de licença-paternidade para trabalhadores regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O texto estabelece uma transição escalonada ao longo de quatro anos: 10 dias nos dois primeiros anos de vigência da futura lei; 15 dias no terceiro ano; e 20 dias a partir do quarto ano.

“Entre os primeiros gestos de um Estado verdadeiramente humano está o de permitir que pais e mães possam acompanhar, de forma plena, o nascimento e os primeiros dias de seus filhos”, declarou o relator, deputado Pedro Campos (PSB-PE).

Alems

Principais mudanças e transição

A proposta retorna agora ao Senado Federal para nova votação — por haver substitutivo aprovado pela Câmara. A licença-paternidade atual (cinco dias) é jornada transitória à espera de regulamentação definitiva da Constituição.

Além da ampliação do prazo, o texto aprovado introduz vários pontos relevantes:

  • A licença será remunerada integralmente.

  • Pais que adotarem ou obtiverem guarda judicial de criança ou adolescente estarão igualmente contemplados.

  • O benefício poderá ser concedido em dois períodos, a pedido do empregado: o primeiro logo após o nascimento ou adoção, o segundo até 180 dias depois.

  • Em casos de nascimento, adoção ou guarda de criança com deficiência, a licença será acrescida de um terço.

A eficácia dos 20 dias está condicionada ao cumprimento de meta fiscal no segundo ano de vigência da lei. Se não for cumprida, o prazo total será adiado.

Impactos financeiros e reações

Os cálculos preliminares apontam para um impacto fiscal líquido de aproximadamente R$ 2,61 bilhões em 2026, crescendo para cerca de R$ 5,44 bilhões em 2029.

A diretora da bancada feminina, deputada Jack Rocha (PT-ES), saudou a aprovação como “vitória das famílias, de pais, mães e filhos”.

Em contrapartida, o líder do partido NOVO, deputado Marcel van Hattem (RS), criticou o projeto, alegando que a ampliação poderia gerar “complicações de empregabilidade, especialmente para micro e pequenas empresas”.

Por que isso importa

O texto busca corrigir um “gap” tradicional na legislação trabalhista brasileira: enquanto a licença-maternidade já era vista como direito consolidado, a licença-paternidade permanecia curta. O relator avaliou que a falta de participação precoce do pai aumenta a sobrecarga da mãe e afeta o desenvolvimento infantil. Pesquisas da Fiocruz e da UNICEF associam o envolvimento paterno nos primeiros dias de vida com aleitamento materno mais prolongado e menor incidência de doenças.

Se o Senado aprovar sem mudanças, a lei entrará em vigor em 1º de janeiro de 2027, conforme previsto.

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