O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, criticou nesta sexta-feira (31) o consórcio de governadores anunciado na quinta-feira no Rio de Janeiro, classificando a iniciativa como “consórcio do Trump”. Segundo o ministro, o grupo de líderes estaduais busca, na prática, provocar uma intervenção estrangeira no Brasil. As informações são do blog da jornalista Andréia Sadi, do G1.
A declaração de Boulos é a primeira do governo federal sobre o chamado “consórcio da paz”, formado por Ronaldo Caiado (GO), Romeu Zema (MG), Jorginho Mello (SC), Ratinho Jr (PR) e Eduardo Riedel (MS), com Tarcísio de Freitas (SP) participando de forma virtual.
O ministro afirmou que, se os governadores realmente quisessem enfrentar o crime organizado de forma efetiva, deveriam apoiar a PEC da Segurança Pública, que cria um sistema integrado de ações entre União, estados e municípios, em vez de recorrer ao que classificou como “demagogia sobre o terrorismo”.
O anúncio do consórcio ocorreu dois dias após a megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, que resultou na morte de 121 pessoas, incluindo quatro policiais civis e militares.
O consórcio
Apresentado pelos governadores como uma medida de integração das forças de segurança e das equipes de inteligência, o consórcio contará com a participação ativa de Eduardo Riedel (MS), que esteve nesta quinta-feira (30) no Rio de Janeiro.
“Faremos um consórcio no modelo de outros que já existem para que possamos dividir experiências e soluções do combate ao crime organizado e da libertação do nosso povo. Vamos discutir estratégias e eu propus que a sede desse consórcio seja no Rio de Janeiro”, afirmou o governador Cláudio Castro durante entrevista coletiva no Palácio da Guanabara, destacando o engajamento de Riedel na iniciativa.
Apesar da apresentação, Castro e os outros governadores não detalharam ações concretas para o enfrentamento imediato da violência, mantendo em aberto o debate sobre a efetividade da iniciativa.


