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Crise no Rio

há 8 meses

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Governo federal e Rio de Janeiro criam centro conjunto para enfrentar o crime organizado

Anunciado por Lewandowski e Cláudio Castro, o grupo emergencial vai coordenar ações entre União e Estado; Força Nacional, PRF e presídios federais terão reforço

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, e o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), anunciaram nesta quarta-feira (29) a instalação de um centro emergencial de coordenação para intensificar o combate ao crime organizado no estado.

A iniciativa foi definida após reunião entre representantes dos governos federal e estadual, convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) logo após seu retorno da Malásia. O encontro teve como foco a escalada da violência no Rio e resultou em uma série de medidas de apoio imediato à segurança pública.

Alems

Cooperação entre União e Estado

Lewandowski afirmou que o enfrentamento à criminalidade exige união entre as esferas de poder e destacou a necessidade de superar divergências partidárias.

“Precisamos deixar de lado diferenças políticas e agir com base no federalismo cooperativo”, declarou o ministro.

O novo centro — batizado de escritório emergencial — será chefiado pelo secretário de Segurança do Rio e pelo secretário-executivo do Ministério da Justiça. De acordo com Lewandowski, a estrutura será temporária e funcionará como um espaço de diálogo e coordenação para decisões rápidas.

“Não se trata de uma nova burocracia, mas de um mecanismo ágil para unir esforços federais e estaduais”, explicou.

Medidas adotadas

Durante o anúncio, o governo federal confirmou uma série de ações:

  • Aumento de efetivo da Força Nacional – número não divulgado;
  • Refôrço da PRF – cerca de 50 agentes foram deslocados para o entorno da capital fluminense, podendo haver novos envios;
  • Ampliação de vagas em presídios federais – 10 lideranças criminosas já foram transferidas, e novas transferências estão previstas;
  • Atuação de peritos da Força Nacional – equipes de medicina legal, odontologia e balística serão deslocadas para auxiliar as investigações;
  • Apoio da Polícia Federal e órgãos de inteligência – foco em rastrear e bloquear recursos financeiros de facções, com auxílio do Coaf e da Receita Federal;
  • Recursos adicionais – valores não especificados, com reconhecimento de limitações orçamentárias.

Castro afirmou que todas as propostas do governo federal foram aceitas e ressaltou que o objetivo é reduzir entraves burocráticos.

“A ideia é agilizar ações como transferências de presos e compartilhamento de equipamentos, evitando que tragédias se repitam”, afirmou o governador.

Ligação com a PEC da Segurança Pública

Lewandowski descreveu o novo centro como um “embrião” da Proposta de Emenda Constitucional da Segurança Pública, que tramita no Congresso desde abril. O texto busca ampliar a integração entre forças federais, estaduais e municipais.

O ministro voltou a defender a proposta como uma resposta estrutural ao avanço do crime organizado, mas reconheceu que alguns governadores, como Castro, Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), têm demonstrado preocupação com possível perda de autonomia dos estados.

Lewandowski também mencionou o projeto de lei “antiaflições”, recém-enviado ao Congresso, que pretende endurecer penas e mecanismos de combate a organizações criminosas.

Operação na Penha e avaliação do governo

Ao ser questionado sobre a operação policial no Complexo da Penha, que deixou dezenas de mortos, o ministro preferiu não comentar detalhes.

“A ação foi conduzida integralmente pelo governo estadual. Nosso papel é oferecer apoio dentro dos limites constitucionais”, afirmou.

Lewandowski reiterou que o governo federal não pretende equiparar facções criminosas ao terrorismo.

“São fenômenos diferentes. Não há intenção de confundir esses conceitos”, declarou.
 

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