O presidente argentino Javier Milei celebrou neste domingo (26) uma vitória inesperada nas eleições legislativas, consolidando a maioria de seu partido, La Libertad Avanza, no Congresso. A legenda obteve 40,8% dos votos, enquanto a oposição peronista alcançou 24,5%, garantindo apenas parte das cadeiras parlamentares.
A vitória, considerada histórica, ocorre em meio a um cenário político marcado por escândalos que ameaçaram a popularidade de Milei, incluindo denúncias de corrupção envolvendo sua irmã e secretária-geral, Karina Milei, e críticas ao aumento da pobreza. Apesar disso, os argentinos optaram por reforçar o mandato do presidente e seu projeto de reformas econômicas.
“Hoje, claramente, foi um dia histórico para a Argentina. O povo argentino decidiu deixar atrás cem anos de decadência e persistir no caminho da liberdade, do progresso e do crescimento. Hoje passamos o ponto bisagra. Hoje começa a construção da Argentina grande”, declarou Milei em seu discurso de comemoração.
O resultado reforça a posição de Javier Milei para avançar em cortes de gastos, redução do papel do Estado e negociações com o FMI, apesar de queda recente na popularidade e denúncias envolvendo familiares.
Agenda econômica e política ganha força
Com a vitória, Milei amplia seu poder de ação no Congresso, abrindo caminho para implementar sua agenda neoliberal, que prevê:
- Cortes em áreas sociais e programas governamentais;
- Redução do papel do Estado na economia;
- Novas negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Especialistas apontam que a consolidação de La Libertad Avanza no Legislativo fortalece a capacidade do presidente de aprovar projetos controversos, apesar da resistência de setores peronistas e de grupos sociais que criticam as políticas de austeridade.
O contexto da vitória
O resultado surpreende após semanas de queda na popularidade de Milei, provocada por denúncias de corrupção, crises econômicas e aumento da pobreza no país. Analistas indicam que a vitória reflete um desgaste histórico das forças tradicionais e a busca de uma parcela significativa do eleitorado por soluções radicais frente à crise econômica.
Com o controle ampliado no Congresso, Milei também pavimenta o caminho para uma possível reeleição em 2027, mantendo a narrativa de ruptura com o que ele considera “cem anos de decadência” na Argentina.


