A ida de Luiz Fux para a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal deve reposicionar Kassio Nunes Marques como uma das figuras mais influentes do colegiado, que já é considerado o mais garantista da Corte. A movimentação ocorre em um cenário de divisão frequente em votações, o que tende a ampliar a relevância do voto de Kassio em decisões com placar apertado.
A Segunda Turma do STF é composta atualmente por Gilmar Mendes (presidente), Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques, André Mendonça e agora Luiz Fux. O ministro Kassio, indicado por Jair Bolsonaro em 2020, é visto por integrantes da Corte como um nome de comportamento oscilante entre grupos, votando ora ao lado de Gilmar e Toffoli, ora alinhado a Mendonça.
Com a chegada de Fux, analistas do tribunal avaliam que Kassio pode se tornar o voto de desempate em julgamentos estratégicos, funcionando como o fator de equilíbrio do colegiado — especialmente em casos criminais e de grande repercussão política.
A Segunda Turma é responsável por analisar processos ligados a fraudes no INSS, desvios de emendas parlamentares e pedidos de revisão criminal de condenados por atos de 8 de janeiro. Também foi neste colegiado que decisões da Operação Lava Jato foram revertidas em anos recentes, com críticas à atuação do Ministério Público e de instâncias inferiores.
Reação interna e nova correlação de forças
Ministros ouvidos reservadamente apontam que ainda é cedo para medir os impactos práticos da mudança, mas há expectativa de alteração no padrão de votações. A avaliação mais frequente é que a entrada de Fux pode tornar mais imprevisível a formação de maiorias.
A transferência de Luiz Fux ocorre após episódios de tensão na Primeira Turma, onde ele ficou isolado ao defender absolvições em julgamentos relacionados aos atos golpistas de 2022. A mudança é vista por colegas como um movimento de reposicionamento interno após divergências recentes.
Na nova formação, Kassio Nunes Marques passa a ocupar uma posição centralizada entre ministros de perfis distintos, o que pode consolidá-lo como peça-chave nos principais julgamentos da Suprema Corte nos próximos anos.


