A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — que afirmou nesta sexta-feira (24/10), durante agenda na Indonésia, que “os traficantes são vítimas dos usuários” de drogas — gerou reação imediata entre os empresários brasileiros. Eles temem efeitos negativos nas tratativas com os Estados Unidos para reverter o tarifaço imposto a produtos nacionais. As informações são da coluna do jornalista Igor Gadelha, do Metropoles.
Segundo membros do governo, a fala teria sido um esforço diplomático de Lula para defender a busca por estabilidade na América do Sul, evitando tensões militares na região. O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, afirmou que o presidente tem atuado para preservar um ambiente de paz e reduzir o risco de confrontos armados.
A apreensão no setor empresarial, porém, está ligada ao momento em que a declaração foi feita — às vésperas do encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, agendado para domingo (26/10) na Malásia. Empresários consultados reservadamente avaliam que o discurso pode gerar ruídos justamente durante negociações para derrubar medidas tarifárias adotadas pelos norte-americanos contra produtos brasileiros.
Ao comentar iniciativas do governo Trump para combater cartéis de droga no Caribe, próximo à Venezuela, Lula afirmou que o enfrentamento ao tráfico passa também pela responsabilização dos consumidores. “Possivelmente fosse mais fácil combater os nossos viciados internamente, os usuários. Os usuários são responsáveis pelos traficantes, que são vítimas dos usuários também”, declarou.
A reunião entre os presidentes ocorre em um contexto de delicadas discussões bilaterais sobre comércio, segurança e geopolítica — fatores que reforçam a cautela demonstrada por setores do empresariado brasileiro.

