O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia nesta terça-feira (21) uma visita oficial à Indonésia e Malásia, dois países-chave do Sudeste Asiático, com o objetivo de ampliar as relações comerciais e políticas do Brasil com a região.
Durante a viagem, Lula participará da 47ª Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) e da 20ª Cúpula do Leste Asiático (EAS), além de manter reuniões bilaterais com chefes de Estado e representantes de empresas. A missão é estratégica: consolidar a presença brasileira em uma região que abriga mais de 680 milhões de habitantes e movimenta cerca de US$ 4 trilhões em PIB agregado.
Participação inédita em cúpula da Asean
Esta será a primeira vez que um presidente brasileiro participa da cúpula da Asean como convidado especial, o que reforça o interesse do Brasil em estreitar os laços com os países do bloco. A organização é composta por 10 países membros (Indonésia, Malásia, Singapura, Tailândia, Filipinas, Vietnã, Mianmar, Camboja, Laos e Brunei) e, nesta edição, deve incorporar oficialmente o Timor Leste como 11º integrante.
Segundo o Itamaraty, a região já é um importante destino das exportações brasileiras, com fluxo comercial que ultrapassou US$ 37 bilhões em 2024, e tendência de crescimento. Se a Asean fosse um único país, seria o 5º maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China, União Europeia, EUA e Argentina.
Indonésia: parceria estratégica e foco em energia
A primeira parada da comitiva brasileira será em Jacarta, capital da Indonésia, onde Lula será recebido com honras de chefe de Estado. O encontro marca a retribuição da visita do presidente indonésio Prabowo Subianto ao Brasil, realizada em julho, após a Cúpula do Brics.
Na quinta-feira (23), os presidentes Lula e Subianto terão uma reunião privada, seguida por encontros ministeriais e assinatura de acordos, incluindo um memorando de entendimento na área de energia renovável. Também está prevista a participação de Lula em um fórum empresarial com a presença de cerca de 100 empresários brasileiros.
A Indonésia é considerada parceira estratégica do Brasil desde 2008. O relacionamento bilateral envolve áreas como agricultura, segurança alimentar, bioenergia, sustentabilidade e defesa. Em 2023, o chanceler Mauro Vieira esteve no país para atualizar o plano de cooperação entre os dois governos.
Malásia: novos acordos em tecnologia e reconhecimento acadêmico
Após a Indonésia, Lula seguirá para Kuala Lumpur, capital da Malásia, onde será recebido pelo primeiro-ministro Anwar Ibrahim. A agenda inclui reuniões bilaterais, assinatura de memorandos nas áreas de semicondutores, ciência, tecnologia e energia, além de participação em eventos com empresários locais.
No sábado (25), Lula receberá o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Nacional da Malásia, e fará um discurso destacando a visão brasileira sobre as relações com o continente asiático.
Apesar de o Brasil já manter relações comerciais sólidas com a Malásia, esta é a primeira vez que os dois países aprofundam o diálogo em nível político. Segundo o embaixador Everton Frask Lucero, o momento marca uma “afirmação do Brasil como ator relevante na região do Sudeste Asiático”.
Cúpulas internacionais e encontros com líderes globais
No domingo (26), Lula participará da abertura da cúpula da Asean, com sessões dedicadas ao setor empresarial. Estão previstos encontros bilaterais com outros chefes de Estado — até o momento, está confirmada uma reunião com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.
Existe ainda a expectativa de um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que participará da Cúpula do Leste Asiático. As tratativas para essa reunião ocorrem em meio às tensões comerciais após a imposição de tarifas por Washington sobre produtos brasileiros, em agosto.
Encontro do Leste Asiático reúne potências regionais
Lula encerrará a missão internacional na segunda-feira (27), com a participação na 20ª Cúpula do Leste Asiático (EAS). Este fórum reúne 18 países da Ásia e da Oceania, incluindo todos os membros da Asean, além de China, Japão, Coreia do Sul, EUA, Índia, Austrália, Nova Zelândia e Rússia.
O presidente brasileiro fará um discurso aos líderes presentes, reforçando o compromisso do Brasil com o multilateralismo, a reforma da governança global e a cooperação em temas como desenvolvimento sustentável, segurança alimentar e energia limpa.
Sudeste Asiático: foco em comércio, tecnologia e protagonismo global
A viagem marca um reposicionamento da diplomacia brasileira diante de uma região que desponta como um dos centros de crescimento econômico mais dinâmicos do século XXI. A Asean, além de potência comercial, atua como ponte entre as grandes economias da Ásia e os mercados emergentes.
Com isso, o Brasil tenta ampliar sua presença em fóruns estratégicos, diversificar mercados para seus produtos e fortalecer alianças políticas fora do eixo tradicional das potências ocidentais.
*Com informações da Agência Brasil


