O ex-ministro e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, oficializou nesta sexta-feira (17) sua saída do PDT, legenda à qual era filiado desde 2015 e pela qual disputou a Presidência da República em 2018 e 2022. A decisão ocorre após a aproximação do partido com o governo do petista Elmano de Freitas no Ceará — movimento que Ciro vinha criticando abertamente desde a eleição passada.
A desfiliação foi comunicada diretamente ao presidente nacional do PDT, Carlos Lupi. Pessoas próximas ao ex-governador afirmam que a permanência de Ciro na sigla já era considerada “insustentável” diante da aliança formalizada entre pedetistas e petistas no estado, rompendo com décadas de parceria, mas agora em posição invertida: com o PDT como apoiador e não mais protagonista.
Nos bastidores, Ciro cogita se filiar ao PSDB — partido que governou de 1991 a 1994 — ou ao União Brasil, legenda de centro hoje integrada ao bloco do Centrão. As duas siglas avaliam seu nome para a disputa ao Senado ou ao governo do Ceará em 2026, em uma candidatura explicitamente oposicionista ao PT.
O aceno ao novo eixo político já vinha sendo construído. Em agosto, Ciro compareceu à convenção da federação União-Progressista, formalizada por União Brasil e Progressistas. Recentemente, também recebeu elogios públicos de parlamentares do PL ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, como o deputado André Fernandes, que o chamou de “inteligente e corajoso”.
Apesar da ruptura, correntes internas do PDT lamentaram a saída de Ciro. Antonio Neto, vice-presidente nacional da sigla, disse que a notícia “entristece” e reconheceu a influência histórica do ex-ministro na construção do trabalhismo moderno.
Ciro ainda não definiu oficialmente seu destino partidário e deve anunciar a escolha nas próximas semanas. O movimento reforça uma guinada estratégica do político — que já foi um dos principais nomes da centro-esquerda — agora em direção a forças do centro e centro-direita, na tentativa de ocupar um espaço de oposição competitiva ao presidente Lula nas eleições de 2026.


