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Política

há 8 meses

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Quem manda na direita em 2026? Nomes "viáveis" apontados por Tereza Cristina irritaram Eduardo

A recente entrevista da senadora Tereza Cristina (PP-MS), em que ela listou como “viáveis” para a disputa presidencial de 2026 os nomes de Tarcísio de Freitas, Michelle Bolsonaro e Ratinho Junior, provocou reações duras dentro do bolsonarismo, especialmente do deputado Eduardo Bolsonaro, que reclamou de não ter sido citado. A polêmica expõe o jogo de forças na direita — entre herdeiros diretos do legado Bolsonaro, governadores com apelo eleitoral e lideranças emergentes. Aqui estão os perfis dos três nomes citados, suas vantagens e riscos.

O que disse Tereza Cristina e a reação de Eduardo Bolsonaro
Tereza Cristina afirmou, em entrevista ao jornal O Globo, que “não faria sentido a direita apresentar um candidato sem viabilidade” contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela citou os nomes de Tarcísio de Freitas, Ratinho Junior e Michelle Bolsonaro como opções com essa viabilidade, mas não mencionou Eduardo Bolsonaro.

Alems

Eduardo prontamente reagiu, afirmando que sua exclusão da lista revela critérios pessoais e interesses ocultos, dizendo que Tereza Cristina trabalha por “interesses dos grandes capitais do país”. Ele também apontou que pesquisas o colocam em posição de destaque no campo da direita, sugerindo que sua remoção da lista é injusta.

Quem são os “viáveis” que Tereza Cristina citou
Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP)
Perfil político e trajetória:

Engenheiro com formação militar, ex-ministro da Infraestrutura do governo Bolsonaro, Tarcísio de Freitas assumiu em 2023 o governo de São Paulo. Sua gestão no estado tem sido marcada por intensa execução de obras, retomada de projetos de infraestrutura, e atração de investimentos. Ele é percebido como um nome técnico, com discurso focado em gestão e eficiência.

Força eleitoral:
Pesquisas indicam que Tarcísio aparece frequentemente como o nome preferido da direita caso Jair Bolsonaro não possa concorrer. Em levantamentos, ele aparece com percentuais competitivos entre eleitores de direita. Em alguns cenários, Michelle Bolsonaro lidera levemente, mas Tarcísio aparece logo atrás, ou em empate técnico.

Desafios:

  • Precisa construir narrativa nacional além de São Paulo.
  • Perfil mais técnico e menos carismático pode não mobilizar tanto quanto nomes ligados diretamente ao bolsonarismo.
  • Ainda há dúvidas sobre sua disposição de disputar o Planalto — já declarou que poderia, mas também que prefere focar no estado.

Michelle Bolsonaro
Perfil político e simbólico:

Ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro acumula capital político significativo entre eleitores conservadores, especialmente por seu apelo em temas religiosos, familiares e de costumes. Também goza de visibilidade relativamente menos desgastada do que outros nomes do bolsonarismo, mais diretamente envolvidos em investigações e acusações.

Força eleitoral:
Pesquisas recentes a colocam como uma das favoritas da direita caso Jair Bolsonaro não esteja na disputa. Em levantamentos, Michelle aparece com até 21% das intenções de voto. Também lidera, com folga, a disputa ao Senado no Distrito Federal, demonstrando força regional.

Desafios:

  • Já afirmou não ter interesse em disputar cargos executivos, especialmente a Presidência.
  • Sua experiência administrativa é limitada, o que pode levantar dúvidas quanto à capacidade de governar.
  • A forte identificação com o bolsonarismo pode ser uma vantagem ou uma limitação, a depender do clima político em 2026.

Ratinho Junior (PSD-PR)
Perfil político e trajetória:

Carlos Roberto Massa Jr., o Ratinho Junior, é governador do Paraná. Já foi deputado estadual, deputado federal e secretário de estado. Com perfil de gestor, seu governo é avaliado positivamente por boa parte do eleitorado paranaense.

Força eleitoral:
Ratinho é visto como uma alternativa mais moderada dentro da direita, com perfil voltado à gestão e menos polarizador. Ainda não figura entre os líderes nas pesquisas de intenção de voto, mas é citado como potencial vice ou peça-chave em alianças.

Desafios:

  • Baixo reconhecimento nacional.
  • Pode ter dificuldade para conquistar a base mais fiel do bolsonarismo.
  • Precisa definir se pretende disputar a presidência, ser vice ou apoiar outra candidatura.

Eduardo Bolsonaro reage e expõe fissura no campo da direita
Eduardo Bolsonaro, deputado federal e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, tem se colocado como possível candidato para 2026 caso o pai continue inelegível. Para ele, a exclusão de seu nome por Tereza Cristina sinaliza disputas internas e interesses econômicos. Ele também aponta que já aparece bem posicionado em pesquisas e é lembrado por eleitores conservadores em redes sociais e eventos.

A irritação de Eduardo evidencia a crescente fragmentação do campo da direita. Nomes que orbitam o bolsonarismo buscam se consolidar em um cenário ainda indefinido, e a ausência de consenso dentro do grupo pode se tornar um fator decisivo até as convenções partidárias.

Direita testa nomes e prepara terreno para sucessão
Ao citar apenas Tarcísio, Michelle e Ratinho Junior, Tereza Cristina deu mais do que uma opinião: acendeu um alerta sobre os rumos da direita e quem, de fato, será capaz de aglutinar apoio em um cenário pós-Bolsonaro. A movimentação é vista como uma tentativa de racionalizar a escolha com base em viabilidade eleitoral — e não apenas em herança política ou sobrenome.

Até 2026, muitos desses nomes poderão mudar de posição no tabuleiro. Mas, por ora, a entrevista da senadora marcou uma nova fase do jogo: a transição do bolsonarismo para algo que ainda não está plenamente definido — seja com herdeiros diretos, com gestores de perfil técnico ou com nomes que somem os dois lados.

O que está claro é que o campo conservador já se move. E cada citação pública, cada exclusão e cada pesquisa servem como peça em um quebra-cabeça que ainda não terminou de ser montado.

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