A aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso abriu uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), e nos bastidores de Brasília dois nomes ganham destaque para a indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o senador e ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Ambos apresentam perfis distintos e possuem bases de apoio diferentes dentro do cenário político. A nomeação depende da escolha do presidente Lula e da aprovação posterior pelo Senado Federal.
O desafio do presidente é selecionar um candidato que inspire confiança no próprio STF, diante da crescente importância da Corte nas decisões nacionais, sem causar atritos com o Congresso ou o meio jurídico. Interlocutores ressaltam que uma escolha considerada fraca poderia prejudicar as relações do Planalto com os demais poderes ou mesmo ser rejeitada na sabatina.
De acordo com a Constituição, o indicado deve possuir “notório saber jurídico” e reputação ilibada, além de ter entre 35 e 70 anos.
Perfil dos candidatos
Jorge Messias
Messias, de 45 anos, ganhou visibilidade nacional em 2015, quando atuava como subchefe para Assuntos Jurídicos na Presidência durante o governo Dilma Rousseff. Naquele ano, uma conversa telefônica entre Dilma e Lula, interceptada e divulgada por Sérgio Moro, trouxe seu nome à tona em um episódio que ele prefere não relembrar.
Advogado ligado ao PT e de confiança do presidente Lula, Messias é reconhecido por seu conhecimento jurídico e carreira construída junto ao partido. Sua fé evangélica também é vista como um ponto positivo, podendo ajudar a conquistar apoio em setores mais conservadores da política.
Entretanto, ele enfrenta resistência entre parlamentares, especialmente no Senado, e entre ministros do STF, que preferem um candidato com maior influência política.
Rodrigo Pacheco
Senador e empresário de 48 anos, Pacheco ganhou destaque nacional ao presidir o Senado entre 2021 e 2024. Ele sucedeu Davi Alcolumbre (União-AP), com quem mantém uma relação próxima e cujo apoio é fundamental para sua candidatura. Alcolumbre, atual presidente do Congresso, é uma das principais forças por trás do nome de Pacheco.
Pacheco assumiu a presidência do Congresso em momentos delicados, como durante a pandemia da Covid-19 e as tentativas de golpe após as eleições de 2022. Sua postura firme contra movimentos golpistas o afastou de grupos bolsonaristas, mas aproximou-o do governo Lula.
Além disso, Lula vê em Pacheco um aliado importante para fortalecer o PSD nas eleições de 2026, e a vaga no STF pode alterar os planos originais para a carreira política do senador, que também é cotado para disputar o governo de Minas Gerais.
Pacheco é bem avaliado tanto no Senado quanto entre ministros do Supremo.
Pontos favoráveis de cada um
Jorge Messias
- Conta com a confiança pessoal do presidente Lula.
- Caso Lula priorize lealdade, como fez em indicações anteriores, Messias é o favorito.
- É evangélico, o que pode ajudar a reduzir resistências conservadoras no Senado.
Rodrigo Pacheco
- Possui o apoio de Davi Alcolumbre, presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que conduz a sabatina.
- É respaldado por ministros do STF próximos ao governo, como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.
- Já demonstrou disposição pública para assumir a vaga.
- Sendo senador, tem maior facilidade para aprovação no plenário.
A decisão final do presidente Lula deve considerar esses aspectos políticos e jurídicos para garantir um nome que fortaleça a relação entre os poderes e atenda às expectativas do governo e do Congresso.


