Durante uma cerimônia em comemoração ao Dia dos Professores realizada nesta quarta-feira (15), no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez críticas à atual composição do Congresso Nacional. Na presença do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o chefe do Executivo afirmou que o Parlamento “nunca teve tão baixo nível” como atualmente.
A declaração foi feita diante de um público composto majoritariamente por profissionais da educação. Ao se referir ao Congresso, Lula direcionou parte de suas críticas à atuação de parlamentares de direita, especialmente aos de extrema-direita eleitos nas últimas eleições.
“O Hugo [Motta] é presidente desse Congresso, ele sabe que esse Congresso nunca teve a qualidade de baixo nível como tem agora. Aquela extrema-direita que se elegeu na eleição passada é o que existe de pior”, afirmou o presidente.
Antes das declarações de Lula, Hugo Motta discursou no evento e foi vaiado por parte do público. Manifestantes também entoaram palavras de ordem contrárias à proposta de anistia para os envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. Diante da situação, Lula demonstrou apoio ao parlamentar e permaneceu ao seu lado durante as vaias.
Discurso com críticas à direita e linguagem contundente
O pronunciamento do presidente teve tom político acentuado e incluiu críticas a figuras da oposição. Um dos citados foi o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente está nos Estados Unidos. Segundo Lula, o parlamentar atua contra os interesses do Brasil no exterior.
Em outro momento do discurso, o presidente afirmou que os setores progressistas não devem permitir o retorno da direita ao poder e destacou retrocessos que, segundo ele, ocorreram durante a gestão anterior, como o retorno do Brasil ao mapa da fome.
Lula também incentivou a participação política, dizendo que aqueles que se sentem insatisfeitos com os rumos do país deveriam considerar ingressar na vida pública para buscar mudanças.
O discurso foi marcado por momentos de exaltação. Em uma das falas mais contundentes, o presidente usou linguagem informal e palavrões ao se referir à gestão anterior no Ministério da Saúde:
“Tinha um ministro da Saúde que não entendia porra nenhuma de saúde”, disse Lula, em referência ao ex-ministro da gestão Bolsonaro.
Lula evita discutir sucessão de Barroso durante jantar com ministros do STF
Na véspera do evento com professores, na noite de terça-feira (14), Lula participou de um jantar com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no Palácio da Alvorada. O encontro, que não constava na agenda oficial, reuniu nomes próximos ao presidente, como Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin, além de ministros do governo como Rui Costa (Casa Civil) e Ricardo Lewandowski (Justiça).
O tema central seria a sucessão do ministro Luís Roberto Barroso, que deve se aposentar em breve. No entanto, segundo relatos, Lula demonstrou incômodo com o vazamento do encontro para a imprensa e evitou aprofundar a discussão sobre possíveis nomes para a vaga.
Dois nomes são apontados como os mais cotados: o advogado-geral da União, Jorge Messias, visto como favorito por sua relação de confiança com o presidente, e o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que conta com apoio relevante no Senado e entre os próprios ministros do STF.
Nos bastidores, aliados de Lula afirmam que o presidente prefere manter discrição antes de bater o martelo sobre o indicado, buscando evitar desgastes com o Congresso, sobretudo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que terá papel-chave na tramitação da escolha.
Apesar da pressão por uma definição, há expectativa de que Lula anuncie o sucessor de forma mais célere do que nas indicações anteriores, como as de Cristiano Zanin e Flávio Dino, para evitar conflitos dentro da base aliada e entre os Três Poderes.


