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Habitação

há 8 meses

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Governo lança novo modelo de crédito imobiliário e amplia limite para compra da casa própria

Valor máximo do imóvel financiado sobe para R$ 2,25 milhões, e Caixa volta a financiar até 80% do valor; mudanças prometem destravar crédito e estimular a construção civil

O governo federal anunciou nesta sexta-feira (10), em cerimônia realizada em São Paulo, um novo modelo de financiamento imobiliário voltado para a compra da casa própria. A medida tem como objetivo ampliar o acesso ao crédito habitacional, especialmente para famílias de classe média, e incentivar o setor da construção civil.

Entre as principais mudanças, o limite do valor do imóvel financiado pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH) passa de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões, segundo o Palácio do Planalto. Além disso, a Caixa Econômica Federal voltará a financiar até 80% do valor do imóvel pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) — percentual que havia sido reduzido para 70% em 2024.

Alems

De acordo com o Banco Central, o novo modelo deve liberar cerca de R$ 111 bilhões para o crédito imobiliário no primeiro ano, com R$ 52,4 bilhões adicionais em relação ao sistema atual. A mudança ocorre porque parte dos recursos que hoje ficam retidos no Banco Central (os chamados depósitos compulsórios) será gradualmente liberada para uso em financiamentos.

Atualmente, os bancos são obrigados a direcionar 65% do dinheiro captado na poupança para o crédito habitacional, 20% ficam retidos no Banco Central e 15% podem ser usados livremente. Com o novo modelo, essa estrutura será flexibilizada até 2027, quando o sistema passará a funcionar de forma integral sob as novas regras.

O ministro das Cidades, Jader Filho, destacou que a medida busca preencher a lacuna entre o programa Minha Casa, Minha Vida e o mercado de juros livres, atendendo famílias com renda acima de R$ 12 mil. “Essas pessoas ficaram sem opções de crédito habitacional. Agora terão condições de financiar imóveis com juros mais baixos”, afirmou.

Já o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, explicou que a mudança amplia a disponibilidade de crédito sem elevar as taxas de juros. Segundo ele, a combinação de recursos da poupança e de captações no mercado — como Letras e Certificados de Crédito Imobiliário — deve aumentar a concorrência entre bancos e reduzir custos para o consumidor.

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Renato Correia, comemorou a iniciativa, afirmando que ela “representa um novo ciclo para o setor habitacional”.

O governo também afirmou que a proposta permite que instituições que não captam poupança participem do sistema em condições semelhantes às demais, o que deve ampliar a competição e o volume de crédito disponível.

Segundo estimativas do Banco Central e do Ministério da Fazenda, a expectativa é que o novo modelo estimule a construção de milhares de novas moradias e ajude a recuperar o setor imobiliário, que vinha sofrendo com a queda nos depósitos da poupança e o aumento das taxas de juros nos últimos anos.

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