O governo do Equador confirmou nesta terça-feira (7) que o presidente Daniel Noboa foi alvo de um ataque enquanto se deslocava para compromissos oficiais na província de Cañar, região sul do país. De acordo com a ministra de Energia e Minas, Inés Manzano, o incidente é tratado como tentativa de assassinato.
Segundo relatos das autoridades, o veículo em que Noboa estava foi cercado por um grupo estimado em 500 pessoas, que arremessaram pedras contra o carro presidencial. Manzano também afirmou que o automóvel apresenta marcas de disparos de arma de fogo, embora essas informações ainda não tenham sido confirmadas de forma independente.
Apesar do ataque, o presidente saiu ileso e manteve sua agenda normalmente. Cinco pessoas foram detidas até o momento, e os suspeitos responderão pelos crimes de terrorismo e tentativa de homicídio, informou o governo.
Um vídeo divulgado nas redes sociais da Presidência mostra o momento em que manifestantes, alguns com bandeiras do Equador, atacam o carro oficial com pedras.
Protestos indígenas e tensão crescente
A manifestação ocorreu no contexto de um protesto liderado pela Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE), a maior organização indígena do país, que acusa o governo de reprimir violentamente a população mobilizada. Segundo a entidade, mulheres idosas foram agredidas e cinco pessoas foram presas de forma arbitrária.
Desde setembro, a CONAIE tem convocado manifestações indefinidas contra cortes em subsídios ao diesel e outras políticas do governo Noboa. A entidade teve papel central na queda de três presidentes equatorianos entre 1997 e 2005.
Novo episódio de violência
O ataque em Cañar não foi um caso isolado. Em 28 de setembro, outro comboio presidencial foi atacado durante a entrega de ajuda humanitária na província de Imbabura. Diplomatas europeus e representantes da ONU estavam presentes na ocasião.
O embaixador da Itália no Equador, Giovanni Davoli, que integrava a comitiva, condenou o ataque, classificando-o como um ato terrorista. Na ocasião, o governo relatou o uso de coquetéis Molotov por cerca de 350 manifestantes. Noboa divulgou imagens de vidros quebrados em veículos da caravana.
As Forças Armadas afirmam que 12 militares ficaram feridos e outros 17 foram mantidos reféns durante os confrontos. A CONAIE, por outro lado, alega que um indígena morreu baleado e acusa o governo de cometer violência estatal.
Contexto político
Daniel Noboa foi reeleito em abril de 2025 após concluir o mandato de transição iniciado em 2023, quando substituiu Guillermo Lasso, que antecipou eleições em meio a acusações de corrupção.
Desde então, Noboa adotou uma linha dura contra o crime organizado, com uso intenso das forças armadas. Sua gestão, no entanto, tem sido alvo de críticas por abusos de autoridade e violações de direitos humanos, especialmente em contextos de repressão a protestos sociais.
Em declarações anteriores, o presidente chegou a afirmar que organizações criminosas, como a gangue Tren de Aragua, estariam infiltradas nos protestos, que ele classificou como atos terroristas disfarçados.
Com colaboração de correspondentes internacionais da BBC na América do Sul.


