Fontes do governo brasileiro afirmam que a linha do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação ao Brasil mudou nas últimas semanas, reduzindo o espaço para que o secretário de Estado, Marco Rubio, interfira nas negociações sobre tarifas e sanções aplicadas a autoridades brasileiras.
Na segunda-feira (6), em uma ligação de cerca de 30 minutos, Lula e Trump reforçaram canais de comunicação direta, indicando que Rubio será apenas um executor das decisões do presidente americano, e não o condutor das negociações. Um auxiliar do presidente brasileiro destacou que a troca de contatos entre os líderes evidencia que Rubio não terá como ditar o tom das conversas, e que a Casa Branca permanece no controle total do processo.
Rubio, conhecido por perfil ideológico e histórico de alinhamento com o bolsonarismo, vinha sendo visto como um possível obstáculo à flexibilização das sanções. No entanto, interlocutores brasileiros afirmam que sua atuação agora segue estritamente as orientações de Trump. Nos últimos meses, declarações agressivas de Rubio contra o Brasil cessaram, o que é interpretado como um sinal de “enquadramento” dentro da administração americana.
A ligação entre Lula e Trump foi organizada sem participação do Departamento de Estado, com a Casa Branca contatando diretamente a embaixada americana no Brasil, que acionou o Palácio do Planalto. Diplomatas do Itamaraty reforçam que qualquer manifestação anterior de Rubio e de sua equipe decorreu de diretrizes de Trump e que, com a mudança de linha da Casa Branca, o Departamento de Estado seguirá as mesmas orientações.
O governo brasileiro atribui a mudança de postura de Trump a três fatores principais: o trabalho diplomático brasileiro, pressão do setor privado norte-americano e a percepção de que a pressão sobre o Judiciário brasileiro, propagada por aliados de Bolsonaro, não surtiu efeito. A tentativa de influenciar decisões do Supremo Tribunal Federal ou promover anistia legislativa não se concretizou, e o debate no Congresso perdeu força.
Além disso, fontes diplomáticas destacam que a atuação coordenada de setores econômicos nos dois países, combinada com o contexto inflacionário interno nos EUA, contribuiu para uma revisão da estratégia americana.
Embora o alívio completo sobre o tarifaço não seja imediato, diplomatas brasileiros avaliam que Trump pode ampliar a lista de produtos brasileiros sem incidência da sobretaxa de 50%, e que ajustes graduais nas sanções podem ocorrer antes das eleições americanas de 2026.


