O ufólogo Urandir Fernandes de Oliveira, mais conhecido como “pai do ET Bilu”, reagiu com ameaças públicas a jornais que o questionaram sobre um convênio firmado com o governo paulista de Tarcísio de Freitas. A parceria, realizada por meio de sua empresa Dakila Pesquisas com a Secretaria de Turismo de São Paulo, foi alvo de reportagem e levantou suspeitas em veículos nacionais.
Parceria e teorias controversas
Em junho de 2024, a Dakila assinou um protocolo de intenções com a gestão estadual, sem previsão de repasses financeiros. O objetivo anunciado era mapear e revitalizar o Caminho de Peabiru — rota histórica atribuída a povos indígenas pré-colombianos — como estratégia para fomentar o turismo no estado.
Apesar disso, a empresa defende teorias que envolvem a existência de Ratanabá, uma cidade mítica de origem extraterrestre que estaria ligada geograficamente ao Caminho de Peabiru. Essas ideias não são reconhecidas pela comunidade científica. A parceria foi encerrada seis meses depois, em dezembro de 2024, sob alegação de falta de resultados.
Reação e ameaças
Ao ser questionado pela imprensa sobre seu vínculo com o governo paulista, Urandir gravou vídeo ofensivo contra os jornais, acusando-os de parcialidade e exigindo que deixassem sua empresa “em paz”. Ele afirmou ainda que poderia tornar públicos supostos “esquemas” de jornalistas e veículos de comunicação.
Participação do governo paulista
O secretário de Turismo de São Paulo, Roberto Lucena, participou da assinatura do protocolo com Urandir e o tratou publicamente como “irmão e amigo”. Em São Vicente (SP), a prefeitura relatou que só posteriormente foi informada da parceria e que não houve repasse de recursos. A própria Secretaria de Turismo estadual afirmou que poderá adotar medidas legais caso haja uso indevido da marca do governo.
Questionamentos e investigações
A deputada federal Sâmia Bômfim (PSOL-SP) solicitou esclarecimentos sobre o protocolo ao governo estadual e acionou o Ministério Público. Como o convênio não envolvia transferência financeira, o caso foi arquivado por ausência de irregularidades formais.
Especialistas em arqueologia contestam a fundamentação científica das teorias defendidas pela Dakila, ressaltando que não encontram respaldo em pesquisas acadêmicas. A empresa também tentou firmar parcerias com instituições de ensino, como a Universidade Estadual do Amazonas, mas pelo menos um dos acordos acabou sendo cancelado.


