Absolvido recentemente em duas ações da Operação Lama Asfáltica — entre elas a que investigava suposto desvio de R$ 10,7 milhões nas obras do Bioparque Pantanal —, o engenheiro e ex-secretário de Obras Edson Giroto diz ver nas sentenças um “recomeço”. Depois de mais de três anos preso preventivamente, ele afirma que pretende transformar a experiência pessoal e política em propostas para Campo Grande e Mato Grosso do Sul.
Na decisão mais recente, o juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, inocentou Giroto e outros sete acusados, ao considerar que não houve prova de fraude, superfaturamento ou enriquecimento ilícito. A perícia apontou, inclusive, que a contratação da empresa Fluidra gerou economia de quase R$ 3 milhões em relação ao projeto original.
O magistrado destacou ainda a complexidade técnica e o caráter inédito do Bioparque, hoje reconhecido como o maior aquário de água doce do mundo. Segundo a sentença, a natureza singular do empreendimento tornou impossível a comparação direta de preços com projetos convencionais, justificando a contratação específica para o sistema de suporte à vida, cenografia e iluminação.
Em entrevista exclusiva ao Pix News, Giroto falou sobre a repercussão das absolvições, a importância do Bioparque para Mato Grosso do Sul, o impacto pessoal das acusações e suas expectativas para 2026.
O senhor sempre defendeu que não houve irregularidades. Como recebeu a sentença que confirmou essa versão e o inocentou das acusações?
Giroto - Nunca tive dificuldade de conviver com o sofrimento e com as denúncias. Quando se sabe o que fez, a maneira como administrou e a vontade de fazer as coisas bem feitas por Campo Grande e pelo Mato Grosso do Sul, não há preocupação. Tudo isso que passei — denúncias sem critério — levou a um processo duro para mim e para minha família. Hoje me sinto mais feliz e revigorado para poder ajudar Campo Grande e o Mato Grosso do Sul, e por isso estou me apresentando para voltar à política.
O juiz destacou a singularidade do Aquário do Pantanal e a complexidade técnica do projeto. O senhor sente que, finalmente, houve um reconhecimento da importância dessa obra?
Giroto - O preço do metro quadrado do Aquário era mais barato do que o de um apartamento, e a denúncia foi feita sem dados concretos. O Aquário — ou Bioparque Pantanal — não é apenas contemplativo; é um grande centro de pesquisa do bioma. A obra divulga o Pantanal para o mundo, sendo um ícone de preservação. Apesar das acusações, que impactaram a mim e aos profissionais envolvidos, a decisão reconhece a relevância e o mérito técnico do projeto.
A perícia concluiu que, ao invés de prejuízo, houve economia para o Estado. Esse ponto fortalece a imagem de que a gestão buscava eficiência no gasto público?
Giroto - Com certeza. Sempre buscamos eficiência. Minha atuação se concentrou na conclusão dos 30% restantes da obra, e a perícia confirmou que houve economia para o Estado. A denúncia foi infundada, mas o resultado reforça que a gestão priorizou o uso responsável dos recursos públicos.
O senhor ficou mais de três anos preso e agora foi absolvido em duas ações da Lama Asfáltica. Qual o impacto pessoal e político dessa reviravolta?
Giroto - Foi devastador. Perdi uma eleição onde a mentira prevaleceu, e minha família sofreu com todo o processo. Hoje busco resgatar minha vida política e pública, mantendo o respeito pela população de Campo Grande e do Mato Grosso do Sul.
Essa decisão contribui para resgatar sua honra e imagem pública, após anos de acusações?
Giroto - Sim. Permaneci calado e focado na defesa de minha conduta. Agora é o momento de reconstruir minha trajetória política e familiar, resgatando a história e a confiança que foram abaladas.
O senhor acredita que a Justiça está corrigindo injustiças cometidas contra sua trajetória como gestor?
Giroto - Acredito na Justiça e na atuação da maioria dos juízes que fazem seu trabalho corretamente. Sempre que houver decisões que considero incorretas, busco as instâncias superiores. Até agora, todas as ações que enfrentei na primeira instância foram revertidas.
Com duas absolvições recentes, o senhor disse que pretende disputar as eleições de 2026. O que essa experiência lhe ensinou e como pretende transformar isso em propostas para Mato Grosso do Sul?
Giroto - Minhas propostas permanecem: Mato Grosso do Sul é um Estado em crescimento e precisa de apoio e conhecimento em logística, para que a produção chegue ao mercado com preço competitivo. Também é fundamental fortalecer o agronegócio e infraestrutura, sem esquecer saúde e educação. Pretendo ouvir a população para formular políticas concretas, baseadas na experiência acumulada em gestão e grandes projetos.
O senhor falou em “sentimento de paz” após a sentença. Esse estado de espírito influencia de que forma a sua volta à política?
Giroto - Sinto-me revigorado e motivado. A política é uma responsabilidade, não vaidade. Campo Grande precisa de gestores preparados, com técnica e comprometimento. Esse estado de espírito reforça minha disposição para contribuir efetivamente com o Estado.
Como pretende usar sua experiência, especialmente em grandes obras e projetos, para ajudar Campo Grande e o Estado caso retorne ao Congresso?
Giroto - A experiência mostra que ninguém chega a cargos de responsabilidade sem preparação. Um gestor precisa de humildade, conhecimento e vontade de trabalhar. Pretendo aplicar toda minha experiência em infraestrutura e projetos estratégicos para melhorar a cidade e o Estado, sempre buscando resultados concretos e eficientes para a população.


