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Política

há 9 meses

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Lula tenta minimizar críticas ao Congresso, mas relação expõe dependência política

Após chamar deputados de indiferentes ao povo, presidente muda o tom e elogia apoio nas votações

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (30) que, apesar de ter “rusgas” com a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, o Congresso Nacional aprovou todos os projetos que o governo considerava prioritários. A declaração foi dada durante a sanção de cinco propostas voltadas à segurança alimentar e à agricultura familiar, em cerimônia no Palácio do Planalto, com a presença do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e da ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT).

“Poucas vezes na história um governo teve uma relação tão exitosa com a Câmara e o Senado. Às vezes temos divergências, mas, na essência, o Congresso votou tudo que precisava ser votado”, disse Lula.

Alems

A fala marca uma mudança de tom em relação aos últimos dias. Em entrevista ao podcast Papo de Crente, o presidente havia criticado os parlamentares, afirmando que “a maioria pouco liga para o povo”. Agora, Lula destacou o ritmo acelerado de votações: “Duvido que em algum lugar do mundo um Congresso votou tantos projetos em tão pouco tempo. Estamos chegando a três anos de governo e, mesmo com apenas 70 deputados na nossa bancada, conseguimos aprovar praticamente tudo que foi proposto”.

Horas antes, o petista havia almoçado no Palácio da Alvorada com Davi Alcolumbre, presidente do Senado, e Hugo Motta, presidente da Câmara, para discutir pautas que o Planalto considera essenciais, como a votação da isenção do Imposto de Renda e a Medida Provisória 1303, que trata da tributação de setores de alta renda.

O custo da dependência
Embora Lula tente apresentar a relação com o Congresso como positiva, o cenário revela outra realidade: o governo se apoia em um sistema de barganhas políticas que coloca em xeque a independência dos poderes. Quando o presidente diz que “o Congresso votou tudo que precisava”, na prática, admite que seu governo dependeu de negociações intensas, muitas vezes baseadas em cargos, verbas e articulações pouco transparentes.

A mudança repentina de discurso — de críticas aos deputados a elogios públicos — mostra não apenas contradição, mas também fragilidade. O presidente, ao mesmo tempo em que reclama da falta de compromisso dos parlamentares com a população, se vangloria por conseguir aprovar pautas com uma base reduzida. Isso não é sinal de força, mas sim da capacidade de ceder em nome da sobrevivência política.

Para quem acredita em um modelo político mais transparente e menos refém do fisiologismo, o que Lula chama de “relação exitosa” nada mais é do que a perpetuação da velha prática de troca de favores. No fim, o Congresso pode até ter votado o que o Planalto queria — mas a que custo para o país?

 

Ouça a fala de Lula:

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