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há 9 meses

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Nelsinho Trad pode perder apoio de aliados com irmãos na esquerda

Reeleição do senador enfrenta obstáculos em meio à polarização política em MS

O senador sul-mato-grossense Nelsinho Trad (PSD) busca a reeleição para mais oito anos no Senado, mas a trajetória do parlamentar enfrenta sinais claros de desgaste político. Apesar de ter comparecido recentemente à filiação do ex-governador Reinaldo Azambuja ao PL, em Campo Grande, Nelsinho se deparou com um cenário que evidencia as dificuldades de manter alianças tradicionais. A multidão reunida no evento era majoritariamente da direita e extrema direita, e parte desse eleitorado ainda olha com desconfiança para o senador.

O fator que mais complica a situação de Nelsinho Trad é familiar: seus irmãos ocupam posições em partidos de esquerda. O ex-deputado federal Fábio Trad se filiou ao PT e é cotado para disputar o governo de Mato Grosso do Sul em 2026, enquanto o vereador Marquinhos Trad está no PDT desde o ano passado. Esse alinhamento político divergente afasta aliados históricos do senador — especialmente aqueles do PL e da federação União Progressista (PP e União Brasil) —, que buscam preservar sua base eleitoral à direita.

Alems

Fontes do centro-direita e da direita ouvidas pelo Correio do Estado indicam que, à medida que as eleições se aproximam, Nelsinho terá dificuldade em compartilhar palanque com candidatos de partidos mais firmemente posicionados à direita. A perspectiva de uma dobradinha com Azambuja para disputar as duas vagas ao Senado também se mostra improvável, dado que o ex-governador vem de um partido de centro e tenta se aproximar da direita.

Na prática, isso significa que o senador do PSD pode ter de lançar sua candidatura fora da coalizão que apoia o governador Eduardo Riedel (PP), composta por PP, União Brasil, PL, Republicanos e Podemos. Uma ruptura desse tipo fragiliza a reeleição de Nelsinho, pois a aliança concentra a maioria absoluta de prefeitos, vereadores e deputados estaduais e federais do Estado — base fundamental para qualquer candidatura sólida.

Do ponto de vista estratégico, a situação revela a dificuldade de se manter “no meio do caminho” em uma política cada vez mais polarizada. Para eleitores que valorizam clareza ideológica, compromisso com princípios e meritocracia, a tentativa de equilibrar alianças de centro, direita e elementos da esquerda pode ser vista como sinal de oportunismo. É um alerta para políticos que acreditam que o pragmatismo eleitoral, sem consistência de valores, tende a gerar afastamento de aliados e desgaste junto ao eleitorado.

Se Nelsinho Trad realmente seguir isolado, sua trajetória rumo à reeleição será marcada por obstáculos significativos: o PL e a federação União Progressista podem lançar candidatos próprios ao Senado, enquanto a dobradinha com Azambuja, que garantiria suporte político robusto, parece cada vez mais improvável. Isso evidencia que a política de conveniência, em um contexto de forte polarização, pode custar caro, abrindo espaço para nomes que apostem em projetos claros e consistentes.

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