O presidente do Conselho de Ética da Câmara, Fabio Schiochet (União Brasil-SC), anunciou nesta sexta-feira (26) a escolha do relator que conduzirá a representação contra Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O deputado Delegado Marcelo Freitas (União Brasil-MG) será o responsável pelo caso, após integrar lista tríplice que incluía também Duda Salabert (PDT-MG) e Paulo Lemos (PSOL-AP).
A representação, apresentada pelo PT, acusa Eduardo de ter usado sua licença parlamentar para agir contra o próprio país, ao viajar aos Estados Unidos em busca de sanções contra o Brasil. O processo pode resultar na cassação do mandato. Pelo regimento, o relator tem 40 dias — prorrogáveis por mais dez — para apresentar parecer, que será votado pelo Conselho e, posteriormente, pode seguir ao plenário da Câmara.
Impasse político
Paralelamente, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já havia impedido a tentativa da oposição de indicar Eduardo como líder da Minoria. A articulação era vista como uma forma de blindagem, diante do risco de perda de mandato por excesso de faltas.
Eduardo está nos EUA desde fevereiro, quando anunciou uma licença de 120 dias. O prazo acabou em julho, e, desde então, suas ausências passaram a ser registradas oficialmente. No período em que esteve no exterior, buscou pressionar o governo norte-americano a aplicar medidas como sobretaxas contra o Brasil, revogação de vistos de autoridades e até a inclusão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, na Lei Magnitsky.
Mais problemas judiciais
Na última segunda-feira (22), a Procuradoria-Geral da República denunciou Eduardo e o influenciador Paulo Figueiredo por coação no processo que investiga a trama golpista. No mesmo dia, os Estados Unidos anunciaram sanções a figuras ligadas ao governo Lula, como a mulher de Moraes e o advogado-geral da União, Jorge Messias, que teve o visto revogado.
No fim das contas
O caso Eduardo Bolsonaro escancara um problema recorrente na política brasileira: parlamentares que usam o mandato para interesses pessoais ou agendas paralelas. É inaceitável que um deputado eleito para representar os brasileiros abandone o plenário para fazer lobby no exterior contra o próprio país.
A estratégia de tentar se manter relevante na oposição pode até agradar setores mais radicais, mas enfraquece a credibilidade do Parlamento e fornece munição para aqueles que enxergam a política como um terreno de privilégios sem responsabilidade. Eduardo, que já vinha perdendo espaço, agora vê sua carreira ameaçada por escolhas que revelam mais voluntarismo do que compromisso real com o Brasil.
Seja qual for o desfecho no Conselho de Ética, a mensagem é clara: mandato não é salvo-conduto para aventuras pessoais. Quem não cumpre sua função, deve responder politicamente por isso.


