O ministro do Turismo, Celso Sabino (União Brasil), anunciou nesta sexta-feira (26) que entregou oficialmente sua carta de demissão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), atendendo à pressão do seu partido para deixar o governo. Sabino continuará no cargo até a próxima semana, a pedido do presidente, para a entrega de obras em Belém. A assinatura da demissão depende agora de Lula.
Paraense, Sabino vinha demonstrando interesse em permanecer no cargo durante a COP-30, com a intenção de projetar sua imagem em eventos internacionais e fortalecer sua candidatura ao Senado em 2026. “Tive uma conversa hoje com o presidente da República, em virtude da decisão do partido ao qual eu sou filiado tomou, de deixar o governo, e vim hoje aqui cumprir o meu papel. Entreguei ao presidente a minha carta e o meu pedido de saída do Ministério do Turismo, cumprindo a decisão do meu partido”, disse o ministro em entrevista no Palácio do Planalto.
Sabino destacou ainda seu desejo de continuar o trabalho iniciado no ministério: “A minha vontade clara é continuar o trabalho que a gente vem fazendo. A gente tem um trabalho de diálogo mantido e, hoje, o presidente sinalizou com essa possibilidade de ampliar esse diálogo junto com o partido União Brasil para gente ver quais serão as cenas dos próximos capítulos”.
A pressão do União Brasil foi formalizada em 18 de setembro, quando o partido aprovou resolução exigindo que seus filiados deixassem o governo em até 24 horas, em meio a desentendimentos com a gestão Lula. Embora Sabino já tivesse anunciado sua intenção de se afastar, ele aguardou a volta do presidente da ONU antes de oficializar a saída.
Nas entrelinhas
A demissão de Sabino evidencia a dificuldade do governo em manter coesão com aliados que têm interesses eleitorais próprios. A decisão do União Brasil, ao forçar a saída de seus membros do Executivo, mostra que partidos aliados podem priorizar estratégia eleitoral e projeção política em detrimento da continuidade administrativa.
Sob essa perspectiva, a postura do ministro — permanecer até concluir obras importantes e dialogar com o governo — reflete um equilíbrio entre responsabilidade institucional e fidelidade partidária. A movimentação deixa claro que alianças políticas no Brasil frequentemente se submetem a interesses pessoais e eleitorais, em um cenário em que a governabilidade e o pragmatismo político entram em constante tensão.
O episódio serve como lembrete de que, mesmo em cargos estratégicos, ministros podem se tornar peças de barganha política, e que o controle partidário muitas vezes se sobrepõe ao planejamento de longo prazo do governo.


